Meloni pede para Trump reconsiderar formato de Conselho de Paz

Premiê apontou possíveis problemas 'constitucionais' na iniciativa

23 jan 2026 - 14h51

A premiê da Itália, Giorgia Meloni, pediu que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconsidere a configuração do Conselho de Paz na Faixa de Gaza, em meio à resistência de países europeus em aderir à iniciativa.

    Roma ainda não deu uma resposta definitiva, porém a primeira-ministra avalia que o estatuto do colegiado, que prevê Trump como presidente vitalício e com poder de veto, pode ser incompatível com a Constituição italiana.

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    "Eu disse que, para nós, há objetivamente alguns problemas de caráter constitucional pela forma como a iniciativa foi configurada, pedindo também a disponibilidade de reabrir essa configuração para ir ao encontro das necessidades não apenas da Itália, mas também de outros países europeus", declarou a premiê em uma reunião com o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, em Roma.

    Apesar disso, a primeira-ministra demonstrou interesse em integrar a iniciativa. "Nós devemos tentar fazer esse trabalho.

    A presença de países como os nossos pode fazer a diferença, essa é a nossa posição, mas vamos ver quais são as margens para encontrar posições compartilhadas", salientou.

    O Conselho de Paz tem como objetivo inicial monitorar a governança e a reconstrução da Faixa de Gaza, porém, segundo a Casa Branca, também pode se estender a outros locais de conflito, o que levantou preocupações de que Trump estaria tentando criar uma espécie de ONU paralela.

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    Na Itália, a dúvida é se o estatuto do colegiado não entra em conflito com o artigo 11 da Constituição, que proíbe a concessão de pedaços da soberania nacional sem condições de igualdade com outros Estados.

    Merz, por sua vez, declarou que a Alemanha "não pode aceitar as atuais estruturas de governança" do Conselho de Paz, que também prevê uma taxa de adesão permanente de US$ 1 bilhão, dinheiro que será administrado pelo próprio Trump. "Mas estamos prontos a explorar com os EUA novos formatos", ressaltou o chanceler. .

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