Meloni diz que Itália não pretende entrar na guerra do Irã

Premiê diz que não há elementos necessários para condenar ou apoiar os ataques

9 mar 2026 - 08h10
(atualizado às 08h16)

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, declarou na noite do último domingo (8) que o país não está envolvido na guerra contra o Irã, "nem pretende se envolver".

Meloni deu entrevista a programa 'Fuori dal Coro'
Meloni deu entrevista a programa 'Fuori dal Coro'
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Segundo ela, o governo italiano está empenhado em reduzir as tensões e em analisar a possibilidade de retomar as negociações.

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"A Itália não faz parte do conflito, não pretende fazer parte da guerra. Nós, como sabem, estamos simplesmente reforçando nossa presença nos países do Golfo que foram atacados pelo Irã com mísseis e drones, mas apenas para fines defensivos", explicou a premiê no programa "Fuori dal Coro", da Rete4.

Meloni enfatizou ainda que esta medida surge da "necessidade de proteger as dezenas de milhares de italianos presentes na área, bem como nossos contingentes militares".

Atualmente, a Itália tem aproximadamente 2 mil soldados destacados na região. "São nações com as quais certamente temos excelentes relações, que são também vitais para os nossos interesses energéticos. Mas não pretendemos entrar em guerra, não iremos".

Além disso, a chefe de governo da Itália disse que seu país "ainda corre o risco de ser afetado pelas consequências do conflito, tanto em termos de segurança interna, sobretudo, quanto, obviamente, em termos econômicos".

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Na entrevista, Meloni também concordou com o ministro da Defesa da Itália, Guido Crosetto, que os Estados Unidos e Israel agiram "fora do direito internacional" ao iniciar uma guerra contra o Irã.

"Acho que estamos lidando com uma situação em que as normas do direito internacional foram objetivamente violadas", declarou Meloni à emissora Mediaset.

"Não creio que tenham entrado em colapso com este episódio específico, pois há muitos precedentes, mas a situação certamente é de grande caos."

"A crise tornou-se estrutural, especialmente com a invasão da Ucrânia, porque quem deve fazer cumprir o direito internacional? Em teoria, são as Nações Unidas. Mas temos a anomalia de um membro do Conselho de Segurança da ONU que, há quatro anos, invadiu seu vizinho numa tentativa de anexá-lo", acrescentou.

Questionada se apoiava os ataques dos EUA e de Israel, respondeu: "Objetivamente, não tenho os elementos necessários, assim como quase ninguém na Europa. De fato, ninguém se posicionou de forma categórica a esse respeito. Ninguém ? com exceção do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez ? condenou a iniciativa, assim como ninguém participa do conflito."

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Posteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse ao jornal "Corriere della Sera" que Meloni é uma "grande líder" e "sempre tenta ajudar": "Ela é uma excelente líder e é minha amiga". 

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