'Deve durar mais uma semana', diz líder da esquerda israelense sobre a guerra contra o Irã

Em Tel Aviv, a RFI conversou com Yair Golan, líder do partido de esquerda israelense Os Democratas. Ele acredita que a guerra deve durar mais uma semana e avalia que Israel e os Estados Unidos não vão conseguir levar o regime iraniano ao colapso.

9 mar 2026 - 07h36
(atualizado às 08h03)

Henry Galsky, correspondente da RFI em Israel

Tanques e veículos blindados de transporte de pessoal (APCs) israelenses no lado israelense da fronteira entre Israel e o Líbano, após uma escalada entre o Hezbollah e Israel em meio ao conflito entre os EUA e Israel com o Irã, no norte de Israel, em 8 de março de 2026.
Tanques e veículos blindados de transporte de pessoal (APCs) israelenses no lado israelense da fronteira entre Israel e o Líbano, após uma escalada entre o Hezbollah e Israel em meio ao conflito entre os EUA e Israel com o Irã, no norte de Israel, em 8 de março de 2026.
Foto: REUTERS - Amir Cohen / RFI

"Creio que o regime ainda vai continuar a existir. Vamos atacá-lo de forma profunda, causar danos militares importantes, mas não acredito que ele vai acabar", disse à RFI ao ser questionado sobre o cenário mais realista em relação ao fim da guerra.

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O encontro com Golan ocorreu por acaso durante as dezenas de vezes em que a RFI precisou descer ao estacionamento no subterrâneo da Praça Habima, no coração de Tel Aviv. O local foi transformado em abrigo público e serve de dormitório para centenas de pessoas todas as noites. São pessoas que não possuem abrigos em seus apartamentos.

Também no local, mas já fora do abrigo, a RFI conversou com um soldado que opera uma das baterias do Domo de Ferro, o sistema de defesa aéreo de Israel que protege o país contra os mísseis balísticos disparados pelo Irã.

Ele também operou o sistema durante a guerra dos 12 dias, em junho do ano passado. Segundo o militar, agora há uma diferença clara em relação ao confronto anterior.

"O Irã agora dispara diversas vezes, mas com uma quantidade menor de mísseis. Acredito que o objetivo é esse", diz ao apontar as escadas que levam ao abrigo. "O objetivo é causar pânico e obrigar a população a entrar em alerta várias vezes por dia".

O comandante do Comando Central dos EUA (CENTCOM), almirante Brad Cooper, afirmou que os ataques com mísseis balísticos do Irã diminuíram em cerca de 90% desde o início da guerra. As Forças de Defesa de Israel avaliam que o Irã ainda possui entre 100 a 200 plataformas de lançamento de mísseis.

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