Uma violenta tempestade de granizo e ventos fortes atingiu o norte da Itália, deixando 43 feridos e provocando destruição generalizada na Lombardia, principalmente em Cremona. O temporal danificou monumentos históricos, destelhou dezenas de imóveis, desabrigou 12 famílias e atingiu cerca de 10 mil veículos. Diante do impacto nas estruturas urbanas e na economia local, o governo regional solicitará a prorrogação do estado de emergência, reacendendo debates sobre a crise climática no país.
A região norte da Itália foi atingida na última sexta-feira (28) por uma violenta tempestade acompanhada de granizo e fortes rajadas de vento, provocando danos generalizados em apenas alguns minutos.
Mais de 40 pessoas ficaram feridas, dezenas de imóveis foram danificados e milhares de árvores caíram nas províncias de Cremona, Mântua, Bergamo e Pavia.
Segundo as autoridades locais, os bombeiros receberam cerca de 100 chamados nos primeiros dez minutos da tempestade e precisaram mobilizar equipes adicionais e voluntários da Defesa Civil. Em toda a Lombardia, foram registradas mais de 500 ocorrências relacionadas ao mau tempo.
O balanço mais recente aponta 43 pessoas atendidas no pronto-socorro de Cremona, nenhuma em estado grave. Quatro pacientes sofreram fraturas no fêmur e precisaram ser internados. A maioria dos feridos já recebeu alta, enquanto uma pessoa permanecia em observação.
De acordo com a direção do hospital, as lesões foram principalmente provocadas por quedas e por tentativas de proteção contra as pedras de granizo, com ferimentos especialmente na cabeça e nas mãos. Não houve registro de pacientes em código vermelho.
Um dos locais mais afetados foi o centro histórico de Cremona. A catedral sofreu danos, assim como pelo menos outras nove igrejas. A prefeitura também foi atingida, e parte superior da torre cívica desabou.
Telhas, pedras e árvores arrancadas permaneciam espalhadas pelas ruas na manhã deste sábado (29), apesar de uma grande operação de limpeza iniciada por volta das 4h (horário local). As equipes trabalham para liberar vias e avaliar os danos estruturais.
Dezenas de residências e edifícios tiveram os telhados arrancados pelo vento. Pelo menos oito famílias precisaram deixar suas casas inicialmente, enquanto o Corpo de Bombeiros informou posteriormente que 12 famílias foram evacuadas após suas residências serem consideradas inabitáveis.
A estabilidade de outros imóveis ainda deverá ser avaliada pelas autoridades.
Os prejuízos também se estenderam à atividade econômica. Três dos quatro pavilhões da feira de Cremona foram danificados, enquanto empresas e propriedades agrícolas da região relataram estragos em estruturas e instalações.
A chuva de granizo também atingiu uma grande quantidade de veículos. A estimativa inicial é de que pelo menos 10 mil carros tenham sido danificados.
Entre as ocorrências mais graves atendidas pelos bombeiros, quatro pessoas ficaram presas e feridas dentro de um veículo danificado pela tempestade e precisaram ser resgatadas.
Uma reunião entre a administração municipal e a Defesa Civil está prevista para este sábado para avaliar a extensão dos danos e definir as próximas medidas.
Diante da dimensão dos estragos, o governo da Lombardia anunciou que solicitará a prorrogação do estado de emergência para as áreas afetadas pela nova onda de tempo severo.
A região já havia formalizado, nos últimos dias, o pedido devido à sequência de eventos meteorológicos extremos que atinge o território desde 20 de agosto.
Os estragos provocaram também reação política. A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou que "está acompanhando de perto a situação em Cremona e está em contato constante com o ministro da Defesa Civil, Nello Musumeci, e outras autoridades locais para monitorar a evolução da emergência e avaliar as necessidades da região".
Por outro lado, Angelo Bonelli, co-porta-voz da Europa Verde e deputado da Aliança Verdes e Esquerda (AVS), criticou o governo de Meloni e acusou a administração de não adotar medidas suficientes diante da crise climática.
Em comunicado, o parlamentar citou a destruição em Cremona, os danos a veículos, residências, igrejas, empresas e propriedades rurais, além da sequência de eventos extremos registrados em outras regiões italianas.
Bonelli defendeu políticas de adaptação climática, expansão das energias renováveis e medidas de prevenção contra eventos meteorológicos extremos. As declarações fazem parte do debate político italiano sobre a resposta do governo ao aumento dos impactos associados a tempestades, ondas de calor, incêndios e outros fenômenos severos. .