Novos ataques mútuos entre Rússia e Ucrânia deixaram mais de 40 mortos. Na região de Kiev, um ataque russo de drone atingiu um depósito de munições em área residencial, matando 37 pessoas e gerando investigações por negligência no armazenamento. Do outro lado, drones ucranianos mataram quatro pessoas e feriram 12 em Belgorod e na Crimeia. O cenário reflete a intensificação dos bombardeios de longo alcance de ambos os lados contra infraestruturas logísticas e civis.
Vídeos que circulam online e na imprensa mostram uma grande explosão, seguida de detonações secundárias que lançaram chamas em várias direções, o que sugere que de fato havia munições armazenadas no depósito atacado. O local aparentemente continha "objetos e materiais explosivos", disse a Procuradoria-Geral da Ucrânia, que abriu uma investigação por negligência criminosa.
Mais cedo, as autoridades da Ucrânia haviam anunciado 27 vítimas. "Infelizmente, o número de vítimas no distrito de Bucha subiu para 37", declarou Timur Tkachenko, chefe da administração militar da região de Kiev, no Telegram.
Entre os mortos estava Taras Didich, prefeito da vila de Dmitrivska, que auxiliava nos esforços de resgate.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, publicou uma longa mensagem no X lembrando as pessoas de que "munições não podem ser armazenadas perto de casas ou outras áreas residenciais".
O ataque com drone ocorreu pouco depois das 20h de sexta-feira (14h em Brasília) e atingiu "as instalações de uma empresa na localidade de Mila", perto de Bucha e a oeste de Kiev, informou a Procuradoria-Geral da Ucrânia. Nesse momento, "um grande incêndio começou na propriedade da empresa e a detonação teve início", acrescentou.
A Procuradoria-Geral explicou que irá investigar "a legalidade do armazenamento de objetos e materiais explosivos na propriedade da empresa", assim como se a empresa, cujo nome não foi mencionado, possuía "as licenças e autorizações necessárias".
"Punição severa"
Quando foi divulgado inicialmente um número de 27 mortos, Zelensky indicou que havia dezenas de feridos e que mais de 370 pessoas haviam sido retiradas da área. O ataque e a consequente explosão causaram danos a casas próximas e a um centro para idosos e pessoas com deficiência, indicou também o presidente.
O primeiro-ministro, Sergei Koretsky, lamentou que "as lições" não tenham sido aprendidas após outro ataque mortal em julho na cidade de Vykhneveh, perto de Kiev, contra um depósito de munições.
Uma investigação revelou falhas significativas por parte da empresa pública proprietária do depósito, que não cumpriu as normas apesar da proximidade com áreas residenciais.
"Agora, no quinto ano da invasão, cometer o mesmo erro repetidamente equivale a negligência criminosa", disse o primeiro-ministro em uma mensagem no Telegram. "Todos os responsáveis, sem exceção, devem receber punição severa para que algo assim nunca mais aconteça", enfatizou.
Drones ucranianos revidam ataques
Ataques com drones ucranianos deixaram pelo menos quatro mortos e 12 feridos em territórios controlados pela Rússia, segundo autoridades russas neste sábado. Na região de Belgorod, próxima à fronteira com a Ucrânia, três pessoas morreram e nove ficaram feridas, três delas em estado grave. Em Sebastopol, na Crimeia anexada por Moscou, uma pessoa morreu e outras três ficaram feridas em outro ataque.
Ao mesmo tempo, o Ministério da Defesa da Rússia informou ter realizado bombardeios contra um terminal portuário em Mykolaiv, no sul da Ucrânia, além de instalações ligadas ao abastecimento de embarcações. Moscou também afirmou ter conquistado três localidades nas regiões ucranianas de Sumy e Donetsk.
As autoridades russas anunciaram ainda um ataque contra um centro logístico na região de Kiev, onde estariam armazenados componentes destinados a mísseis balísticos. A Reuters ressalta que não pôde verificar de forma independente as informações divulgadas por Moscou.
Rússia e Ucrânia intensificaram seus ataques de longo alcance nos últimos meses, visando cada vez mais infraestruturas civis, como armazéns logísticos, instalações petrolíferas e portuárias. Esses bombardeios resultaram em um número crescente de vítimas civis.
Com agências