A imprensa israelense revelou a existência de um canal secreto de comunicação direta entre o Shin Bet e o Hamas, criado em 2024 para acelerar negociações sobre reféns e prisioneiros após a lentidão da mediação tradicional. Apesar das conversas terem destravado impasses críticos com o aval de lideranças de ambos os lados, o gabinete de Benyamin Netanyahu negou os contatos. O vazamento gerou forte desgaste político e acusações da oposição contra o premiê em plena campanha eleitoral.
Michel Paul, correspondente da RFI em Jerusalém
É o assunto que domina as manchetes em Israel. Tudo mudou no fim do verão de 2024 no hemisfério norte. Depois da descoberta dos corpos de seis reféns mortos em um túnel de Gaza, os serviços de segurança israelenses chegaram a uma conclusão amarga: os canais diplomáticos via Doha e Cairo avançavam devagar demais.
Com o aval de Benyamin Netanyahu e do vice-líder do Hamas, Khalil al-Hayya, foi aberta então uma linha direta e altamente secreta. De um lado, um alto dirigente do Shin Bet, o serviço de inteligência interna de Israel; do outro, o membro do Hamas, Ghazi Hamad. Foram dezenas de ligações.
Fontes próximas ao caso afirmam que essas conversas, apesar de marcadas por confrontos duros, ajudaram a destravar pontos críticos de negociação, sobretudo as listas de prisioneiros palestinos que poderiam ser libertados.
O gabinete do primeiro-ministro nega categoricamente qualquer contato direto. Ainda assim, a divulgação dessas informações surge no pior momento para Benyamin Netanyahu, em plena campanha eleitoral. A oposição já explora as revelações para acusar o governo de duplicidade no topo do Estado.