Cerca de 50 estudantes bloquearam o acesso ao Museu do Louvre nesta segunda-feira (19), em Paris, em protesto contra a violência policial e em apoio a mobilizações estudantis. A ação ocorre em meio a uma onda de manifestações pelo país contra o custo de vida, marcadas por saques e confrontos no fim de semana. Em resposta à escalada de tensão e à promessa de novos atos pelos Coletes Amarelos, o governo francês solicitou a aplicação de toques de recolher parciais para proteger o comércio.
- O acesso ao Museu do Louvre, o mais visitado do mundo e um dos principais pontos turísticos de Paris, foi bloqueado na manhã desta segunda-feira (19) por manifestantes que declararam apoio a um movimento estudantil do ensino médio e querer denunciar a "repressão policial".
A informação foi divulgada pela administração do museu e por sindicatos à agência de notícias Agence France-Presse (AFP).
Cerca de 50 estudantes da École du Louvre barraram a entrada do ponto turístico e fixaram um folheto na entrada com os seguintes dizeres: "Temos orgulho de anunciar que estamos bloqueando o maior museu do mundo".
De acordo com o sindicato CGT, que apoia a ação sem participar diretamente, o local ficará fechado pelo menos "até o meio-dia" (horário local).
Situada em uma das alas do complexo do museu, a École du Louvre é uma prestigiada instituição parisiense que oferece cursos de história da arte, arqueologia, epigrafia, antropologia e museologia.
Estudantes da École des Beaux-Arts, localizada do outro lado do rio Sena, também participam do ato que ocorre justamente na data que marca exatamente um ano desde o ousado roubo das Joias da Coroa, episódio que mergulhou o Louvre em uma profunda crise no ano passado.
O bloqueio ocorre em meio a uma onda de protestos na França, marcada por manifestações contra o aumento do custo de vida e por episódios de violência, destruição e saques registrados no último sábado (17), em Paris e em outras cidades, como Marselha, Lyon e Bordeaux.
Diante do cenário de tensão, o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, anunciou que pediu aos prefeitos a implementação de toques de recolher parciais e localizados, com início previsto para hoje.
As medidas têm como objetivo proteger lojas e estabelecimentos comerciais. A relação das áreas afetadas deve ser divulgada após consultas com as autoridades locais.
Lecornu afirmou que a imposição de um estado de emergência será considerada apenas se houver necessidade, mas avaliou que, neste momento, os toques de recolher são uma resposta mais adequada à situação.
A crise também pode ganhar novos desdobramentos nos próximos dias. O movimento dos Coletes Amarelos (Gilets Jaunes), que organizou as manifestações de sábado, anunciou um segundo ato de protestos para o próximo fim de semana, segundo informações da imprensa francesa.