O presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou que os líderes dos Estados-membros da União Europeia ainda veem com reservas o Conselho de Paz criado por Donald Trump, iniciativa que levantou temores na comunidade internacional sobre uma suposta tentativa de esvaziar as Nações Unidas.
"Nutrimos sérias dúvidas sobre uma série de elementos contidos no estatuto do Conselho de Paz relativos a seu âmbito de competência, à sua governança e à sua compatibilidade com a Carta das Nações Unidas", declarou Costa após uma reunião extraordinária do Conselho Europeu em Bruxelas, na última quinta-feira (22).
O encontro ocorreu no mesmo dia do lançamento do Conselho de Paz, que tem como objetivo inicial monitorar a governança e a reconstrução da Faixa de Gaza, porém, segundo o próprio governo Trump, também pode se estender a outros locais de conflito.
O organismo terá o republicano como presidente vitalício com poder de veto, além de taxa de adesão permanente de US$ 1 bilhão. "Estamos prontos a colaborar com os Estados Unidos para a implementação do plano de paz global em Gaza", mas "com um conselho que desempenhe sua missão de administração transitória", acrescentou Costa.
Trump convidou dezenas de líderes internacionais para o colegiado, mas as grandes potências europeias hesitam em aderir.
Na Itália, a premiê Giorgia Meloni, que tem ampla afinidade ideológica com o magnata, disse que ainda precisa de mais tempo para avaliar se a iniciativa é compatível com a Constituição.
Segundo a própria primeira-ministra, o estatuto do Conselho de Paz pode contrariar o artigo 11 da Carta Magna italiana, que proíbe a concessão de pedaços da soberania nacional sem condições de igualdade com outros Estados.
Trump declarou a jornalistas que a Itália quer "assinar desesperadamente sua adesão", mas precisa de uma passagem legislativa, o que gerou críticas da oposição no país europeu.
"A minha pergunta para Giorgia Meloni é simples: você prometeu a Trump mudar o artigo 11 da Constituição?", disse a secretária do Partido Democrático (PD), Elly Schlein.
"É uma afronta ao Parlamento saber, pelas declarações de Trump, que Giorgia Meloni manifestou a sua vontade de integrar o chamado Conselho de Paz. Essa adesão viola a Constituição e seria um ato intolerável. Mais uma vez, solicitamos a Meloni que compareça perante o Parlamento e nos diga o que prometeu a Trump", reforçou o deputado Angelo Bonelli, da Aliança Verdes e Esquerda (AVS).