O líder das Forças Democráticas Sírias, Mazloum Abdi, anunciou a dissolução da milícia curda após acordo com o presidente sírio, Ahmed Al-Sharaa, para reunificar o país. Em troca do fim do grupo que liderou o combate ao Estado Islâmico e da renúncia à autonomia regional, o governo reconheceu de forma inédita a língua e os direitos nacionais dos curdos. O pacto consolida a autoridade de Damasco sobre o território sírio.
Após uma série de reuniões em Damasco, o líder curdo das Forças Democráticas Sírias (FDS), Mazloum Abdi, anunciou nesta terça-feira (25) a dissolução da milícia, que lutou contra o Estado Islâmico (EI).
A decisão do comandante foi comunicada em conformidade com um acordo firmado com o presidente da Síria, Ahmed Al-Sharaa, que está determinado a reunificar o país.
"Desde a criação das FDS, seus combatentes assumiram uma grande responsabilidade durante um dos períodos mais difíceis. Eles libertaram muitas cidades e vilas sírias. Hoje, as circunstâncias mudaram, e o país entrou em uma nova fase caracterizada pela paz e pela participação", disse Abdi.
O grupo foi formado em 2015 por iniciativa dos Estados Unidos, que ficaram impressionados com os combatentes curdos que haviam derrotado o EI em Kobane. As FDS lideraram a luta contra os jihadistas, que sofreram uma derrota territorial na Síria quatro anos mais tarde.
Em seu auge, a milícia contava com cerca de 100 mil combatentes e controlava vastas áreas do norte e nordeste, regiões ricas em petróleo. No entanto, após confrontos que resultaram na perda de territórios significativos para as tropas governamentais da Síria, os dois lados fecharam um acordo.
Al-Sharaa assinou um decreto que consagra os direitos nacionais dos curdos e reconhece o curdo como língua nacional, um passo inédito desde a independência da Síria, em 1946.
A integração representou uma grande vitória para Al-Sharaa, que tem buscado consolidar o controle sobre toda a Síria desde a queda de Bashar Al-Assad. No entanto, o pacto desferiu um golpe fatal no sonho de autonomia há muito acalentado pelos curdos.