Líder da Venezuela anuncia plano de segurança alimentar durante fórum em Roma

Paralelamente, cidadãos protestam contra situação humanitária no país

13 out 2026 - 09h43
Resumo
No Fórum Mundial da Alimentação da FAO, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, lançou o plano "Venezuela Alimenta" e afirmou que a subnutrição no país caiu expressivamente. Contudo, os dados oficiais contrastam com relatórios de entidades humanitárias, que apontam persistente insegurança alimentar, agravada por recentes terremotos. O anúncio também motivou protestos em Roma que denunciaram a precariedade dos serviços públicos e a contínua crise social venezuelana.

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou nesta terça-feira (13) o lançamento de um plano destinado a coordenar as diversas cadeias produtivas do país e contribuir para a meta "Fome Zero".

    A iniciativa "Venezuela Alimenta" foi apresentada durante o Fórum Mundial da Alimentação, organizado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em Roma.

Publicidade

    Rodríguez também anunciou que pretende encaminhar à Assembleia Nacional um projeto de lei para fortalecer a economia local e promover a integração entre atividades municipais e comunitárias, empresas e a indústria agroalimentar.

    Durante sua participação no evento, a presidente afirmou que a prevalência de subnutrição na Venezuela caiu para 5,3% no triênio de 2023 a 2025, o equivalente a cerca de 1,5 milhão de pessoas, segundo dados do relatório SOFI 2026, elaborado pela FAO e por outras agências das Nações Unidas.

    Ela também citou uma redução para 3% em 2026 e destacou programas de distribuição de alimentos, como os Comitês Locais de Abastecimento e Produção (CLAP), além da alimentação escolar como parte da resposta a sanções e dificuldades econômicas.

    Os números apresentados pelo governo, porém, contrastam com avaliações de organizações humanitárias, que apontam a persistência de necessidades alimentares e da falta de serviços essenciais no país. No início de 2026, estimativas indicavam que entre 1,5 milhão e 1,99 milhão de venezuelanos precisavam de assistência alimentar humanitária.

Publicidade

    A situação foi agravada pelos terremotos de 24 de junho, que atingiram diferentes regiões do país e provocaram danos à infraestrutura, deslocamentos populacionais e novas demandas por ajuda.

    Nas áreas afetadas, o número de pessoas que necessitavam de assistência humanitária chegou temporariamente a uma estimativa de 3 milhões a 3,49 milhões, segundo dados citados em avaliações humanitárias.

    O Programa Mundial de Alimentos (PMA) mantém ações de assistência por meio de refeições escolares e iniciativas comunitárias, mas enfrenta limitações de financiamento diante da dimensão das necessidades.

    Paralelamente ao fórum em Roma, integrantes da comunidade venezuelana realizaram um protesto contra a participação de Rodríguez, denunciando a crise alimentar e a precariedade dos serviços públicos no país.

Publicidade

    Segundo os manifestantes, há famílias sem acesso regular à água e à eletricidade, enquanto os salários não são suficientes para garantir a compra de alimentos.

    A apresentação do plano ocorre em meio a questionamentos sobre a capacidade de resposta do governo venezuelano à crise social e humanitária. Rodríguez assumiu a presidência interina após a captura de Nicolás Maduro, em janeiro, e prometeu diálogo político e eleições, ainda sem data definida. .

Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações