Lei que deu cidadania italiana a Flávio era 'muito generosa', diz vice-premiê

'Com a regra atual, teria sido muito mais complicado', afirmou Tajani

29 out 2026 - 08h46
(atualizado às 08h58)
Resumo
O vice-premiê italiano, Antonio Tajani, afirmou que Flávio, Carlos e Eduardo Bolsonaro obtiveram cidadania italiana amparados pela lei antiga, que era mais "generosa" e sem limites geracionais, diferentemente das regras atuais. A declaração ocorreu após questionamentos da oposição e em meio à fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos após sua derrota eleitoral em 2026, ignorando uma ordem do STF para entregar todos os seus passaportes, inclusive o italiano.

O vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, disse nesta quinta-feira (29) que o candidato derrotado a presidente da República Flávio Bolsonaro e seus irmãos Carlos e Eduardo obtiveram a cidadania com base na lei antiga, que era "muito generosa".

Flávio Bolsonaro desembarca em Miami após fuga do Brasil
Flávio Bolsonaro desembarca em Miami após fuga do Brasil
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

O chanceler abordou o tema à margem de uma conferência sobre o Ártico e a Antártida em Roma, na esteira da fuga de Flávio para os Estados Unidos após ter perdido as eleições presidenciais de 2026 para Luiz Inácio Lula da Silva.

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Segundo Tajani, os três filhos de Jair Bolsonaro tinham direito à cidadania por direito de sangue, já que contam com antepassados italianos da Toscana e do Vêneto. "O passaporte não foi uma concessão, era um direito deles com base na lei antiga", disse.

Ele faz referência às antigas regras para o reconhecimento da cidadania italiana jus sanguinis, que não estabeleciam limites geracionais. Em março de 2025, no entanto, o vice-premiê editou um decreto, convertido em lei dois meses depois, que determinou que a cidadania pode ser transmitida apenas por pais ou avós exclusivamente italianos.

"Com a lei atual, teria sido muito mais complicado", acrescentou Tajani, explicando que as normas anteriores "eram muito generosas". "Hoje elas restringem a concessão da cidadania italiana àqueles que são elegíveis e realmente desejam ser italianos", salientou.

Na última quarta-feira (28), o deputado de oposição Angelo Bonelli, da Aliança dos Verdes e da Esquerda (AVS), questionou o governo no Parlamento sobre o processo de reconhecimento da cidadania para Flávio, Carlos e Eduardo.

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"Queremos saber se todos os procedimentos foram respeitados", disse. Na segunda (26), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que Flávio entregasse todos os seus passaportes, inclusive o da Itália, porém o candidato derrotado, que perderá a imunidade parlamentar como senador no início do ano que vem, fugiu para os EUA, onde divulgou uma carta se autoproclamando "presidente eleito do Brasil".

Menos de uma hora depois, no entanto, publicou uma nova versão do texto, agora se definindo como "líder do Brasil".

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