O Ministério Público de Roma denunciou nesta terça-feira (7) o empresário, jornalista e ex-editor do "Avanti" Valter Lavitola por suposto envolvimento no atentado contra o também jornalista Sigfrido Ranucci, ocorrido em outubro passado. Devido à colaboração entre os dois, a vítima disse estar "convencida da inocência" do acusado.
De acordo com as investigações, Lavitola seria o mandante do ataque a bomba executado por quatro suspeitos contra a residência de Ranucci em Pomezia, na província de Roma, em 16 de outubro de 2025.
Os quatro supostos autores do crime, provenientes de Avellino, na Campânia, foram detidos no último dia 30.
Segundo os investigadores, logo após o ataque, Lavitola se empenhou em garantir que Gomes Clesio Tavares, um camaronês que teria atuado como intermediário junto à quadrilha de Avellino, deixasse a Itália.
As informações constam em um documento emitido por promotores da Diretoria Distrital Antimáfia (DDA), que revela que, desde 2017, Tavares trabalha como funcionário da empresa Cefalù, ligada a Lavitola. Além disso, o empresário também teria providenciado assistência jurídica para o suposto intermediário, que segundo as apurações, estaria atualmente em Camarões.
O interrogatório de Lavitola perante a Justiça está marcado para quarta-feira (8).
"Essa notícia me deixou atônito. Estou convencido de sua inocência, ressalvada, naturalmente, a análise das provas", afirmou Ranucci em vídeo sobre a suspeita do MP em relação a Lavitola, com quem trabalhou como jornalista.
"Tenho certeza que, mesmo que alguma irregularidade venha à tona, ele jamais teria feito mal a mim ou à minha família", frisou a vítima, antes de acrescentar: "Deposito total confiança na investigação do Ministério Público de Roma. Veremos quais desdobramentos ocorrerão".
O caso contra Ranucci ocorreu em outubro, quando um explosivo foi detonado em frente ao portão de sua casa em Pomezia, destruindo dois carros estacionados na rua ? o dele e o de sua filha ? e danificando um muro.
Ranucci apresenta o "Report", um programa de investigação focado em crimes e casos de corrupção, que já contou com a colaboração de Lavitola. Antes do atentado de outubro, o jornalista já contava com escolta devido a ameaças.