O governo da Itália defendeu nesta segunda-feira (19) que a União Europeia não aplique represálias aos Estados Unidos por conta do tarifaço contra países do continente na esteira das ameaças do presidente Donald Trump de anexar a Groenlândia.
"Não é o momento de ser torcedor organizado de uma equipe, nem de ver quem tem mais ou menos orgulho ou quem é mais duro. É preciso raciocinar sobre cada coisa, nos lembrando que somos aliados há 76 anos", declarou o ministro italiano da Defesa, Guido Crosetto, em publicação no X.
Ele respondia a um comentário sobre a possibilidade de a UE impor tarifas contra 93 bilhões de euros em importações americanas. "Esse é o pior modo de responder. Desencadear uma disputa de quem faz mais mal ao outro, entre aliados, só pode levar a desastres", acrescentou Crosetto.
Pouco antes, o vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, já havia dito que a Europa precisava "dialogar de cabeça erguida" com os EUA, porém ressaltando que seria "errado" travar uma guerra comercial que beneficiaria apenas "China e Rússia".
"A UE não pode prescindir dos Estados Unidos e vice-versa: a unidade ocidental é essencial", salientou o chanceler, acrescentando que Trump "errou" ao aplicar tarifas contra oito países europeus.
"É errado impor tarifas, é errado responder, é errado intensificar o conflito. Isso é bom senso. As tarifas americanas devem ser evitadas, por isso que é importante conversar com os Estados Unidos. Não enviamos tropas, porque enviar 10 ou 20 soldados teria sido ridículo", disse Tajani.
Trump vem ameaçando anexar a Groenlândia, território autônomo pertencente à Dinamarca, país-membro da UE e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em função de supostos riscos à segurança no Ártico representados por China e Rússia.
No último fim de semana, o presidente anunciou tarifas adicionais de 10% (podendo subir para 25% em junho) contra Alemanha, Dinamarca, Finlândia, França, Holanda, Noruega, Reino Unido e Suécia, países que enviaram militares para a ilha.
"A Dinamarca e a Groenlândia não estão sozinhas. A segurança do Ártico é um interesse transatlântico compartilhado, sobre o qual podemos conversar com nossos aliados americanos, mas as ameaças tarifárias não são o caminho certo. A soberania não é negociável. Não temos interesse em buscar um embate, mas vamos defender nossa posição", declarou a alta representante da UE para Política Externa, Kaja Kallas.