A Itália expulsou dois militares da Embaixada da Rússia em Roma por envolvimento em atividades de espionagem reveladas pelo Ministério Público da capital italiana. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (9) pelo vice-premiê e ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani.
Na nota publicada no X, Tajani disse que o embaixador russo em exercício em Roma, Alexey Paramonov, foi informado que os funcionários "Ivan Petrovich Gorbachev e Mikhail Vasilyevich Astakhov devem deixar a cidade no prazo de três dias".
"Moscou continua a utilizar a guerra híbrida para atacar o Ocidente e a Itália. Isso constitui uma interferência grave e inaceitável nas instituições italianas e na segurança nacional", pontuou o vice-premiê.
Paramonov confirmou que foi convocado pela Farnesina e criticou as "relações exteriores" do governo de Giorgia Meloni.
"Roma busca conter ao máximo a influência da Rússia na Itália, expulsando o maior número possível de diplomatas russos.
No entanto, isso é impossível, afinal, a Rússia conta com figuras da estatura de Vladimir Putin [presidente russo] e Sergey Lavrov [ministro das Relações Exteriores]", escreveu o embaixador no Telegram.
De acordo com o Ministério das Relações Exteriores de Moscou, citado pela Ria Novosti, o país irá "responder" à expulsão de seus dois militares de Roma.
"O problema é que os dois indivíduos expulsos da Itália estavam envolvidos em atividades de espionagem prejudiciais à segurança nacional. Isso foi comprovado, não foi um capricho nosso", reforçou Tajani ao ser comunicado sobre o posicionamento russo.
"A Rússia pode adotar as medidas de retaliação que quiser; são atos de vingança", avaliou o ministro italiano, segundo o qual, Moscou precisa "provar que as pessoas que expulsam são, de fato, espiões".
"Nossa [Itália] decisão baseia-se em fatos; a deles [Rússia] é política", concluiu Tajani.
Na última terça-feira (7), dois ex-agentes da Aisi, a agência de inteligência italiana, foram presos em Roma sob suspeita de envolvimento em um esquema de espionagem para a Rússia. Além dos dois detidos, as autoridades investigam outros militares italianos no caso.