O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã confirmou na noite de terça‑feira (17) a morte de seu chefe. Na semana passada, Ali Larijani, de 67 anos, havia desafiado os bombardeios israelo-americanos ao participar de uma manifestação nas ruas de Teerã.
Segundo as agências de notícias iranianas Fars e Tasnim, o funeral será realizado a partir das 14h pelo horário local (7h30 em Brasília). A cerimônia ocorrerá simultaneamente à do comandante da força paramilitar Basij, Gholamreza Soleimani, cuja morte também foi confirmada na terça‑feira. Além disso, serão enterrados nesta quarta-feira os mais de 80 militares da fragata afundada pelos Estados Unidos há duas semanas, ao largo do Sri Lanka.
Os nomes de Larijani e Soleimani se somam à lista de dirigentes iranianos mortos pelos Estados Unidos e por Israel desde o início da guerra do Oriente Médio, entre eles, o líder supremo Ali Khamenei, eliminado em 28 de fevereiro. Seu funeral chegou a ser anunciado, mas foi posteriormente adiado por tempo indeterminado pelas autoridades islâmicas.
Neste 19º dia de um conflito que inflama o Oriente Médio, desestabiliza o Líbano e paralisa a produção e o transporte de petróleo, o chanceler iraniano Abbas Araghchi prometeu um conflito longo e devastador.
"A onda de repercussões globais está apenas começando e atingirá a todos, sem distinção de riqueza, crença ou raça", escreveu Araghchi no X, em contraste com as declarações de Donald Trump, que costuma prever um conflito curto.
Mais cedo, a agência de notícias Mehr divulgou fotos dos caixões de Ali Larijani e de seu filho, Morteza Larijani, de 42 anos, que morreu no mesmo ataque israelense na terça-feira. O canal oficial no Telegram do secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã divulgou uma foto da mão dele coberta de poeira entre os escombros do bombardeio, identificável pelo anel característico que ele usava.
Ataques iranianos deixam dois mortos em Israel
Em represália à morte de Larijani, Irã e o grupo Hezbollah dispararam mísseis e foguetes de forma coordenada contra Israel na madrugada desta quarta-feira. Os mais de 50 projéteis lançados pela milícia xiita libanesa foram interceptados pelo sistema de defesa aéreo israelense ou caíram em áreas abertas, mas as bombas de fragmentação iranianas causaram as mortes de dois idosos e danos significativos na região central de Israel.
Sob anonimato, um alto funcionário iraniano afirmou à agência de notícias Reuters que o novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, rejeitou as propostas do Ministério iraniano das Relações Exteriores para tentar reduzir as tensões ou alcançar um cessar‑fogo com os Estados Unidos. Segundo ele, o dirigente islâmico teria considerado que este não é o momento para a paz, "ao menos até que os Estados Unidos e Israel sejam colocados de joelhos, reconheçam a derrota e paguem indenizações".
O Irã também segue retaliando os ataques israelo-americanos visando alvos estratégicos em outros países do Oriente Médio. Um projétil iraniano caiu nesta quarta‑feira perto do quartel‑general militar australiano na base Al Moinhad, nos Emirados Árabes Unidos, sem deixar feridos.
Um míssil balístico foi interceptado nas proximidades da base aérea Prince Sultan, no sudeste de Riade, na Arábia Saudita, onde estão estacionados militares americanos, segundo o Ministério da Defesa saudita. Drones ainda foram derrubados no bairro diplomático da capital saudita e no leste do país.
As autoridades dos Emirados, do Catar e do Kuwait também anunciaram ter interceptado projéteis iranianos.
Pelo menos quatro fortes explosões foram ouvidas nesta quarta‑feira em Erbil, capital do Curdistão autônomo no norte do Iraque. Grupos armados pró‑iranianos vêm multiplicando nos últimos dias ataques com drones contra militares e interesses americanos no local.
RFI com agências