Irã diz que é improvável que doutrina nuclear mude e que Estreito de Ormuz precisa de novo protocolo

18 mar 2026 - 08h09

A posição do Irã contra o ‌desenvolvimento de armas nucleares não mudará significativamente, disse o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, à Al Jazeera, em comentários transmitidos pela mídia iraniana na quarta-feira, alertando que o novo líder supremo ainda não expressou publicamente sua opinião sobre o assunto.

O ex-líder ⁠supremo Ali Khamenei, que foi morto no início da guerra ‌dos EUA e Israel contra o Irã, se opôs ao desenvolvimento de armas de destruição em massa em uma fatwa, ‌ou decreto religioso, emitido no início ‌dos anos 2000.

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Países ocidentais, incluindo EUA e Israel, há ⁠anos acusam Teerã de buscar armas nucleares, enquanto as autoridades iranianas afirmam que seu programa nuclear é apenas para fins civis.

Araqchi disse que as fatwas dependem do jurista islâmico que as emite e acrescentou que ainda não estava em posição de julgar ‌as opiniões jurisprudenciais ou políticas de Mojtaba Khamenei, o novo líder ‌supremo do Irã.

O ⁠ministro das Relações ⁠Exteriores do Irã afirmou acreditar que, após o fim da guerra, os ⁠países que fazem fronteira com ‌o Golfo devem elaborar ‌um novo protocolo para o Estreito de Ormuz, a fim de garantir que a passagem segura pela estreita via navegável seja realizada sob certas condições alinhadas aos interesses iranianos ⁠e regionais.

O Irã fechou a importante rota energética, por onde passa um quinto do petróleo e do gás liquefeito do mundo, afirmando que "não permitirá que nem um litro de petróleo" chegue aos Estados Unidos, Israel ‌e seus parceiros.

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Na terça-feira, o presidente do Parlamento do Irã disse que a situação do Estreito de Ormuz não voltará às ⁠condições anteriores à guerra.

Os EUA têm procurado formar uma coalizão naval para escoltar as embarcações que navegam pelo estreito, com a maioria dos aliados da Otan dizendo que não querem se envolver em operações militares contra o Irã.

A França, membro da Otan, disse que só consideraria uma coalizão internacional conjunta para garantir a passagem pelo estreito após um cessar-fogo e negociações prévias com Teerã.

Araqchi disse que o fim da guerra só seria concebível se o conflito terminasse permanentemente em toda a região e o Irã recebesse uma compensação pelos danos sofridos.

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