Irã promete resistir à ampliação das sanções dos EUA e diz que Washington busca negociações

25 ago 2026 - 07h58
(atualizado às 09h40)
Resumo
O Irã prometeu resistir à ampliação das sanções econômicas dos EUA contra 60 alvos e afirmou que Washington busca retomar negociações via mediação paquistanesa. As medidas americanas pouparam bancos chineses para evitar retaliações de Pequim. Enquanto esforços diplomáticos tentam conter o conflito e reabrir rotas no Golfo, a tensão militar persiste, evidenciada por um novo ataque a petroleiro no Estreito de Ormuz.

O Irã prometeu reagir à ampliação ‌das sanções dos EUA destinadas a isolar sua economia, expressando confiança de que os principais parceiros comerciais resistirão à campanha de pressão e afirmando que Washington está interessada em retomar as negociações.

Quase seis meses após o início de um conflito que os EUA têm dificuldade em resolver, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, divulgou as medidas na segunda-feira, mas evitou impor as sanções mais severas.

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Embora tenha afirmado que ⁠os países que continuassem a negociar com o Irã corriam o risco de serem excluídos do sistema financeiro ‌baseado no dólar, ele se recusou a fornecer um prazo ou identificar quais países poderiam ser alvo das medidas, dizendo que lhes daria tempo para cumprir a nova diretiva.

Abbas Golroo, chefe da Comissão ‌de Relações Exteriores do Parlamento iraniano, disse que o chefe do ‌Exército do Paquistão, Asim Munir, entregou uma mensagem dos EUA ao Irã na segunda-feira.

"Ao que ⁠parece, o objetivo principal era retomar o processo político paralisado", declarou ele à agência de notícias Isna. Não houve comentário imediato da Casa Branca ou do Departamento de Estado.

O Departamento do Tesouro anunciou novas sanções contra 60 pessoas físicas, entidades e embarcações, mas a lista não incluía nenhuma das instituições financeiras chinesas suspeitas de facilitar o comércio de petróleo do Irã.

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"Queremos deixar claro aqui hoje que ninguém está acima do ‌alcance das sanções dos EUA", declarou Bessent em resposta a uma pergunta sobre bancos chineses.

A China tem sido ‌a maior compradora de petróleo ⁠iraniano há vários anos, embora ⁠o bloqueio dos portos iranianos pelos EUA tenha reduzido o fluxo de petróleo iraniano para a China desde que ⁠Washington o renovou em meados de julho.

Especialistas afirmam que Washington ‌teme uma retaliação chinesa por quaisquer ‌sanções contra seus bancos antes das negociações previstas para o próximo mês entre o presidente Donald Trump e o presidente chinês Xi Jinping, sendo que quaisquer restrições sobre exportações chinesas de minerais essenciais são especialmente delicadas.

A China afirmou nesta terça-feira que sua cooperação com o Irã é conduzida ⁠dentro da estrutura do direito internacional e não deve ser interferida nem interrompida.

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Os preços do petróleo caíram pelo segundo dia consecutivo, à medida que os operadores ignoraram o impacto das sanções, embora os participantes do mercado continuassem cautelosos quanto à capacidade contínua do Irã de interromper o transporte marítimo.

PETROLEIRO ATINGIDO PERTO DO ESTREITO DE ORMUZ

Um petroleiro foi atingido na terça-feira ‌por um projétil não identificado e ficou inoperante a cerca de 17 km a nordeste de Ash Shishah, em Omã, local que fica na entrada do Estreito de Ormuz, informou a Agência de ⁠Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido.

Antes da notícia das últimas sanções, o Irã ameaçou tanto com uma possível resposta militar quanto com uma redução ainda maior nas exportações de petróleo do Golfo, em retaliação a quaisquer medidas econômicas dos EUA.

Irã e Estados Unidos assinaram um acordo provisório em junho com o objetivo de pôr fim à guerra que começou com ataques dos EUA e de Israel ao Irã em fevereiro, mas o acordo rapidamente fracassou e o Irã retomou os ataques, que bloquearam a maior parte das exportações de energia do Golfo.

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O Paquistão, atuando como mediador, fez "progressos significativos" nas negociações mais recentes com Teerã, as quais se concentraram em evitar uma nova escalada e na reabertura do Estreito de Ormuz, informaram as Forças Armadas paquistanesas.

"Tivemos uma troca de ideias muito construtiva", afirmou na rede social X o ministro do Interior do Paquistão, Mohsin Naqvi, que acompanhou Munir a Teerã.

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