As tensões no estreito de Ormuz voltaram a se intensificar nesta quarta-feira (5), depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que a passagem "abriria muito em breve" e advertiu que o Irã seria atingido "muito fortemente" caso o bloqueio persistisse. Ele afirmou que um acordo poderia ser anunciado até quinta-feira, embora Teerã negue qualquer negociação direta com Washington. A ameaça norte-americana ocorre em meio ao bloqueio naval imposto pelos EUA como resposta ao fechamento do estreito pelo Irã, medida que afeta uma das rotas mais estratégicas do comércio global de petróleo.
O governo iraniano, por sua vez, reforçou que não pretende retomar o modelo de circulação marítima anterior à guerra iniciada em julho. Atualmente, Teerã permite apenas um trajeto restrito ao longo de suas próprias costas, sob vigilância militar. A proposta de cobrar taxas de serviço para o uso dessa rota, rejeitada pelos EUA e por outros países, contraria normas do direito internacional do mar, que regulam a passagem de embarcações em áreas consideradas vitais para o comércio global.
A declaração de Trump reacendeu o debate sobre a segurança da região, já fragilizada por episódios recentes. Em junho, a criação de uma rota alternativa sob responsabilidade de Omã provocou forte reação iraniana e desencadeou uma série de ataques contra embarcações comerciais. Esses incidentes ampliaram o temor de que o estreito, por onde circulava antes da guerra cerca de um quinto do comércio mundial de hidrocarbonetos, se transforme em foco permanente de instabilidade.
Pressão norte-americana e avanço das negociações com Omã
Apesar das ameaças de Washington, autoridades iranianas afirmaram nesta quarta-feira que as conversas com Omã avançam. Segundo Esmaïl Baghaï, porta-voz da diplomacia iraniana, os dois países já concordaram sobre as coordenadas geográficas de um novo trajeto de navegação.
Ele disse que Teerã e Mascate trabalham na elaboração de uma declaração conjunta, desde que "terceiros não atrapalhem o processo". A referência a interferências externas mira diretamente os EUA, que mantêm navios de guerra na região e ampliaram operações de vigilância desde o início das hostilidades.
Baghaï ressaltou que, mesmo com um eventual acordo com Omã, o estreito não se tornaria automaticamente seguro. Para ele, os fatores que tornam a área instável "continuam existindo do lado dos Estados Unidos", incluindo o bloqueio naval e outras ações classificadas por Teerã como agressivas. A avaliação reflete a percepção iraniana de que a presença militar norte-americana é o principal elemento de risco para o tráfego marítimo.
O porta-voz também afirmou que a reabertura do estreito depende exclusivamente das decisões de Washington, que mantém o bloqueio aos portos iranianos. Essa medida, segundo Teerã, impede qualquer normalização do fluxo de navios e inviabiliza a implementação de rotas alternativas. Mas as autoridades iranianas insistem que querem negociar apenas com Omã, reforçando a ideia de que a solução para o impasse deve ser regional, sem mediação norte-americana.
Com AFP