Hungria promete bloquear sanções da UE contra Rússia na véspera do aniversário da guerra na Ucrânia

23 fev 2026 - 09h31

A Hungria parecia disposta nesta segunda-feira ‌a bloquear novas sanções da União Europeia contra Moscou e um empréstimo de 90 bilhões de euros para Kiev, enquanto ataques na ucraniana de Odessa mataram duas pessoas antes do quarto aniversário da invasão russa em grande escala.

Hungria e Eslováquia culpam a Ucrânia pelos atrasos na retomada do fluxo de petróleo russo pelo gasoduto Druzhba. Os dois países são os únicos na União Europeia que ainda utilizam ⁠petróleo russo transportado pelo Druzhba.

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Enquanto Kiev e seus aliados se preparam para o aniversário de terça-feira, o presidente ‌da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, disse à BBC que o líder russo Vladimir Putin "já havia iniciado" a Terceira Guerra Mundial e que o mundo deveria responder com intensa pressão.

"A questão é quanto território ele (Putin) ‌será capaz de conquistar e como detê-lo... A Rússia quer ‌impor ao mundo um modo de vida diferente e mudar as vidas que as pessoas ⁠escolheram para si mesmas."

A Rússia negou repetidamente as alegações de que deseja um conflito mais amplo com o Ocidente e afirma que sua "operação militar especial" na Ucrânia tem como objetivo proteger sua própria segurança contra o que considera um Ocidente hostil e agressivo. Kiev e seus aliados ocidentais dizem que Putin está empenhado em uma apropriação de terras ao estilo imperial.

Os EUA têm tentado mediar um acordo de ‌paz entre a Rússia e a Ucrânia, mas o progresso tem se mostrado difícil. As negociações mais recentes, ‌em Genebra, nos dias 17 ⁠e 18 de fevereiro, não ⁠produziram avanço.

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A Rússia afirma que a Ucrânia precisa se retirar dos cerca de 20% da região oriental de Donetsk ⁠que ainda controla, uma exigência que Zelenskiy rejeitou novamente ‌em sua entrevista à BBC, dizendo ‌que isso significaria "abandonar centenas de milhares de nosso povo que vive lá".

SANÇÕES E EMPRÉSTIMO EM ESPERA

Os comentários de Zelenskiy foram feitos no momento em que a Hungria prometeu bloquear o 20º pacote de sanções da União Europeia contra a Rússia e um empréstimo de 90 bilhões de ⁠euros para a Ucrânia devido a uma interrupção no gasoduto que Budapeste atribui a Kiev.

Os ministros das Relações Exteriores da UE se reuniram em Bruxelas após uma disputa entre Hungria, Eslováquia e Ucrânia sobre a interrupção no gasoduto Druzhba ter se intensificado no fim de semana, ameaçando prejudicar os planos mais recentes do bloco para ajudar Kiev.

Os envios de ‌petróleo russo para Hungria e Eslováquia através do Druzhba estão interrompidos desde 27 de janeiro, quando Kiev afirmou que um drone russo atingiu equipamentos do gasoduto na Ucrânia. Eslováquia e Hungria afirmam ⁠que a Ucrânia é a responsável pela interrupção prolongada.

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"Não odiamos a Ucrânia... mas o Estado ucraniano se comporta de maneira hostil em relação à Hungria", disse o ministro das Relações Exteriores da Hungria, Peter Szijjarto. "A bola está no campo da Ucrânia."

Em uma carta vista pela Reuters, o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, disse ao presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, que a interrupção do Druzhba foi um "ato de hostilidade não provocado que prejudica a segurança energética da Hungria" e prometeu bloquear o empréstimo até que o problema seja resolvido.

Orbán, que mantém relações cordiais com a Rússia, procurou apresentar as eleições de 12 de abril na Hungria como uma escolha difícil entre "guerra ou paz", acusando seus oponentes de quererem arrastar o país para o conflito, o que eles negam veementemente.

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