Um hospital de Barcelona realizou o primeiro transplante de rosto do mundo a partir de uma doadora que havia solicitado a eutanásia. O procedimento inédito foi conduzido no Hospital Vall d’Hebron, referência internacional em transplantes complexos.
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O transplante, do tipo parcial, foi realizado no ano passado, no mesmo hospital onde, em 2010, ocorreu o primeiro transplante total de rosto bem-sucedido do mundo. Desde o registro do primeiro caso, em 2005, na França, foram realizados 54 transplantes faciais em todo o mundo, sendo três deles no Vall d’Hebron.
De acordo com os coordenadores da cirurgia, o fato de a doadora ter solicitado a eutanásia foi essencial para o sucesso técnico do procedimento. Diferentemente dos casos de morte inesperada, a situação permitiu um planejamento detalhado, com uso de tecnologias avançadas e simulações prévias, segundo noticiado pelo jornal português SiC Notícias.
"Pudemos sentar com engenheiros e, com modelos em 3D, planejar as melhores opções de reconstrução e adaptação das estruturas ósseas para alcançar o máximo de compatibilidade funcional", explicou Joan-Pere Barret, chefe da unidade de cirurgia plástica e queimados do hospital.
"Não se trata apenas de aparência. Um transplante de rosto precisa devolver função e sensibilidade. Caso contrário, é apenas uma máscara. Estamos falando de estruturas tridimensionais com músculos, nervos e vasos com menos de um milímetro de diâmetro".
A receptora do transplante, identificada como Carmen, participou da coletiva de imprensa e relatou o impacto da cirurgia em sua vida. Ela teve o rosto gravemente desfigurado após uma infecção bacteriana, condição que comprometia funções básicas.
"Já consigo comer, falar, tenho sensibilidade e posso sair para tomar um café. Recuperei uma qualidade de vida que nunca imaginei voltar a ter", afirmou. Carmen segue em processo de fisioterapia para recuperação total das funções faciais e espera estar recuperada dentro de um ano.
Segundo Barret, a própria doadora manifestou o desejo de que seu rosto também fosse doado, além dos demais órgãos, após solicitar a eutanásia.
"A felicidade dela ao saber que isso seria possível foi imensa. Foi um momento de enorme impacto emocional para todos nós", relatou.