Guerra pesa sobre economia do Irã, conforme EUA intensificam sanções

29 ago 2026 - 16h35
(atualizado às 17h13)
Resumo
A economia do Irã sofre forte impacto com a guerra e o aumento das sanções dos EUA, registrando inflação de 66% e queda de 35% no comércio exterior. Em resposta, Teerã prioriza conter a crise interna e manter o controle do Estreito de Ormuz, sem sinalizar recuo. Paralelamente, o governo iraniano busca saídas diplomáticas, com o presidente Masoud Pezeshkian defendendo a retomada de um acordo provisório com Washington para aliviar as sanções financeiras e liberar ativos congelados.

‌Os líderes iranianos estão reconhecendo o impacto econômico da guerra com os EUA, com o líder supremo instando o governo a lidar com as dificuldades e o presidente afirmando que o comércio exterior encolheu em um terço devido às sanções e ao bloqueio norte-americano.

No entanto, Teerã não deu sinais de recuo neste sábado, prometendo resistir à pressão ⁠dos EUA, buscar a via diplomática e manter o que afirma ser o controle sobre ‌o Estreito de Ormuz, a via navegável estratégica que dá ao Irã poder de influência por meio de sua capacidade de perturbar os mercados globais de energia.

Publicidade

O ‌governo afirmou em comunicado divulgado pela mídia estatal que ‌lidar com as pressões econômicas causadas pelas sanções e pela guerra era uma ⁠prioridade central, incluindo conter a inflação, gerenciar os mercados, criar empregos, direcionar investimentos para a produção nacional e reduzir gradualmente a dependência do dólar.

Seis meses após os EUA e Israel terem iniciado a guerra, as negociações estão em um impasse e o governo do presidente Donald Trump intensificou os esforços para punir financeiramente o Irã com o ‌que chamou de "Dia D econômico".

SANÇÕES AGRAVAM DANOS À ECONOMIA DO IRÃ

Washington advertiu os países a ‌cortarem laços comerciais com o ⁠Irã ou enfrentarem ⁠sanções secundárias, embora o Departamento do Tesouro tenha evitado impor penalidades contra os principais parceiros comerciais do Irã, ⁠como a China e a Índia, o ‌que poderia ter repercussões para ‌as economias dos EUA e global.

Publicidade

Essa onda de sanções agrava os efeitos da guerra sobre a economia iraniana, onde a inflação anual atingiu 66% no mês passado.

O líder supremo, aiatolá Mojtaba Khamenei — que não é visto em público desde que ⁠ficou ferido no ataque inicial de 28 de fevereiro, que matou seu pai e ex-líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei —, exortou o governo a enfrentar as dificuldades econômicas.

"É preciso abordar seriamente a cadeia de desafios econômicos e de subsistência, como inflação, desemprego, gestão de preços e o mercado de ‌bens e serviços", afirmou Khamenei, de acordo com uma declaração por escrito atribuída a ele.

O presidente Masoud Pezeshkian disse à mídia estatal que as exportações e importações iranianas ⁠caíram quase 35% devido às sanções dos EUA e ao bloqueio naval dos portos iranianos.

Mas ele afirmou que o Irã conseguiu vender cerca de 90 milhões de barris de petróleo durante a breve vigência de um memorando de entendimento assinado entre os EUA e o Irã em junho, quando Washington permitiu as vendas de petróleo iraniano.

Publicidade

Mais tarde, no sábado, Pezeshkian defendeu, em pronunciamento na TV estatal, a retomada do acordo provisório — assinado em 17 de junho, mas que rapidamente fracassou devido a divergências sobre os termos pactuados, especialmente no que diz respeito ao status do Estreito de Ormuz.

"Podemos resolver nossos problemas e recuperar nossos privilégios com o memorando de entendimento", disse ele sobre o documento, que havia oferecido ao Irã, entre outras coisas, alívio imediato das sanções dos EUA e a liberação de seus ativos congelados.

Reuters - Esta publicação inclusive informação e dados são de propriedade intelectual de Reuters. Fica expresamente proibido seu uso ou de seu nome sem a prévia autorização de Reuters. Todos os direitos reservados.
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se