Rei Haakon homenageia seu "querido pai" Harald, enquanto noruegueses se despedem do antigo rei

29 ago 2026 - 16h12
Resumo
Após a morte do rei Harald aos 89 anos, seu filho assumiu o trono como rei Haakon 8º da Noruega. Em seu primeiro pronunciamento à nação, Haakon homenageou o pai com emoção e reafirmou o compromisso com a democracia, a Constituição e a união do país. Paralelamente, milhares de noruegueses foram ao palácio real em Oslo prestar as últimas homenagens a Harald, relembrado nacionalmente por seu legado de tolerância e inclusão ao longo de mais de três décadas de reinado.

O rei Haakon 8º da ‌Noruega prestou homenagem ao seu falecido pai, descrevendo-o como "um pai tão bom", em seu primeiro discurso à nação desde que assumiu o trono, com a voz brevemente embargada pela emoção ao mencionar sua mãe viúva, a rainha Sonja.

O rei Harald, que saiu da sombra de seu próprio pai — muito querido e extrovertido — para se tornar um reformador durante mais de três décadas no trono, faleceu na sexta-feira aos 89 anos.

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Seu filho Haakon, vestido com terno preto, camisa ⁠branca e gravata preta, elogiou Harald como um homem de família caloroso em um discurso gravado e transmitido pela televisão ‌no palácio.

"Meu querido pai, obrigado por ter sido um pai tão bom para Martha e para mim", disse ele, referindo-se à sua irmã, a princesa Martha Louise.

"Vou sentir saudades dele. Vou sentir saudades do seu riso. Vou ‌sentir saudades da maneira bem-humorada com que ele lidava com as pessoas ‌e as situações", continuou ele, sentado atrás de uma mesa, com um retrato de Harald sorrindo à ⁠sua esquerda.

Ele observou que este sábado deveria ter sido a comemoração do 58º aniversário de casamento de Harald e da rainha Sonja.

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"Parabéns pelo seu aniversário de casamento, querida mamãe", disse Haakon, com a voz parecendo, por um instante, dominada pela emoção.

UM POVO

Haakon enfatizou que faria as coisas à sua maneira, assim como seu pai fez antes dele, e reiterou os fundamentos da Noruega como monarquia constitucional, personificados no juramento que prestará no Parlamento na terça-feira para proteger ‌a Constituição e as leis do país.

"Acreditamos em nosso sistema de autogoverno - e na democracia. Acreditamos em uma sociedade construída ‌com base no Estado de Direito - onde ⁠cada indivíduo tem o mesmo ⁠valor", disse ele.

Haakon tornou-se rei automaticamente após a morte de seu pai, de acordo com a monarquia constitucional da Noruega. Não ⁠haverá coroação, pois a cerimônia foi abolida pelo Parlamento em 1908.

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"Acreditamos ‌em uma Noruega onde haja espaço ‌para todos. Sentiremos a força de nossa comunidade - e saberemos, no fundo de nossos corações, que somos um único povo", disse ele.

No final de seu discurso, do lado de fora do palácio, os enlutados que assistiam em seus celulares romperam em aplausos espontâneos.

O primeiro-ministro Jonas Gahr Stoere, em declaração à Reuters minutos antes da ⁠transmissão do discurso, disse que Haakon compartilhava muitas qualidades com seu pai.

"Este rei tem algo de seu pai, que é a capacidade de criar uma atmosfera de união", disse ele em uma entrevista do lado de fora do palácio.

INCLUSÃO E TOLERÂNCIA

Desde o falecimento de Harald, dezenas de milhares de pessoas têm se reunido para se despedir do falecido rei no palácio real, onde seu corpo está exposto, com ‌muitos admiradores relembrando seu senso de inclusão e tolerância.

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Bandeiras estavam hasteadas a meio mastro em todo o país, e retratos do falecido rei em uniforme de gala podiam ser vistos em pontos de ônibus, bondes e estações ⁠de metrô, bem como em lojas, escritórios e prédios públicos.

A avenida principal no centro de Oslo, a Karl Johan, estava lotada de pessoas de todas as classes sociais que se dirigiam ao palácio, segurando flores, cartões escritos à mão, desenhos e pequenas bandeiras nacionais.

Os enlutados elogiaram o espírito de inclusão do falecido rei.

"Ele significou muito para nós, imigrantes... Nós nos sentimos realmente muito acolhidos. Por isso, graças a ele, me sinto tão norueguesa", disse Veselina Vitanova, uma professora de 43 anos originária da Bulgária, à Reuters em frente ao palácio.

Outra pessoa mencionou um discurso que Harald proferiu em 2016, que se tornou viral em todo o mundo, no qual ele disse: "Os noruegueses são meninas que amam meninas, meninos que amam meninos e meninas e meninos que se amam".

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"Isso resume o que ele sentia pelas pessoas e como ele queria que nós, noruegueses, nos sentíssemos uns pelos outros", disse Mari Eidsvaag, de 32 anos, que usava uma camiseta estampada com essa frase, um arco-íris e um desenho do rei Harald.

"Acho que é uma declaração muito importante, especialmente nos dias de hoje", disse ela à Reuters.

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