Alemão é condenado à prisão perpétua por assassinato de turista em 1994

29 ago 2026 - 15h47
(atualizado às 15h52)
Resumo
Um tribunal da Alemanha condenou à prisão perpétua um homem de 81 anos pelo estupro e assassinato da turista americana Amy Lopez, ocorrido em 1994 na cidade de Koblenz. Sem solução por mais de três décadas, o caso foi elucidado após a polícia identificar o agressor por meio de novas análises de DNA colhidas das roupas da vítima. O réu, que possuía histórico de crimes sexuais, confessou o crime durante o julgamento e aceitou a sentença, da qual não pretende recorrer.

Assassino, hoje com 81 anos, foi identificado mais de 3 décadas depois graças à exame de DNA. Em julgamento, ele confessou ter estuprado e matado turista americana de 24 anos em fortaleza histórica na cidade de Koblenz.Um tribunal da Alemanha condenou na sexta-feira (28/08) um homem de 81 anos à prisão perpétua pelo estupro e assassinato de uma turista americana ocorrido há mais de 30 anos.

O réu Hans S. (esq.) ao lado do seu advogado durante o julgamento em Koblenz
O réu Hans S. (esq.) ao lado do seu advogado durante o julgamento em Koblenz
Foto: DW / Deutsche Welle

O assassinato da americana Amy Lopez, de 24 anos, ocorreu em setembro de 1994, numa fortalez histórica da cidade de Koblenz, oeste da Alemanha, e havia permanecido sem solução por mais de três décadas.

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O condenado Hans S. — cujo sobrenome não foi divulgado, em conformidade com as leis de privacidade da Alemanha — só foi preso no início de 2026, quando a polícia finalmente conseguiu identificá-lo utilizando novas tecnologias de DNA.

O que se sabe sobre o assassinato da turista americana?

O corpo de Lopez foi encontrado em setembro de 1994, por crianças que brincavam na área da Fortaleza de Ehrenbreitstein, na cidade de Koblenz, no oeste da Alemanha. O corpo, que havia sido deixado numa isolada seção em ruínas da fortaleza, apresentava ferimentos de faca, lesões graves na cabeça e sinais compatíveis com estrangulamento.

O tribunal regional de Koblenz concluiu que Hans S. atraiu a jovem para uma área isolada do complexo sob a falsa promessa de indicar um atalho para um albergue. Na sequência, ele então amarrou, estuprou e perfurou a vítima nove vezes com uma faca e a golpeou com uma pedra.

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O tribunal concluiu que Hans S., que à época do crime tinha 49 anos e vivia a 600 metros do local, estava "à procura de uma vítima para estuprar" e que Lopez "estava tragicamente no lugar errado, na hora errada". A jovem nativa do estado americano do Texas havia desembarcado na Alemanha após ganhar a viagem do seu pai, como um presente de formatura.

Durante o julgamento, o réu confessou o crime em termos gerais.

À época, o crime provocou comoção em Koblenz, cidade de cerca de 100 mil habitantes. No entanto, houve pouca movimentação no caso durante décadas, até que as autoridades de Koblenz criaram uma equipe especial de investigação para "cold cases" (casos frios, em tradução livre) no ano passado.

Houve repetidos apelos ao público, e o caso chegou a ser destaque, no ano passado, em um programa de TV nacional sobre crimes não solucionados.

O julgamento atraiu muitos observadores e foi intensamente coberto pela imprensa alemã até o último dia do que o juiz chamou de "caso extraordinário". Entre os presentes estavam o pai e o irmão de Amy Lopez, que vieram do Texas.

"É claro que o veredito não pode desfazer o que aconteceu, nem trazer Amy de volta", disse a advogada Kathrin Kienle, que representou a família da vítima no julgamento.

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"Mas o pai e o irmão de Amy me disseram que, na verdade, nunca conseguiram encontrar paz interior durante todo o tempo em que o autor do crime permaneceu em liberdade."

Segundo a imprensa alemã. até o último dia do julgamento, o réu não manifestou qualquer arrependimento ou pedido de desculpas. Após o veredito de culpa, no entanto, ele declarou: "Aceito a sentença. A única forma de reparação que ainda posso oferecer é admitir minha culpa."

A sentença de prisão perpétua também determinou a excepcional gravidade do crime. Isso significa que Hans S. dificilmente poderá liberdade condicional após cumprir 15 anos de sua sentença. Ao ler a sentença, o juiz do caso deixou claro que o tribunal estava ciente de que o condenado — hoje com 81 anos — praticamente não tem chance de sair da prisão com vida.

Como o réu foi identificado após mais de 30 anos?

O réu já era conhecido pelas autoridades devido a outros crimes sexuais desde a década de 1960, tendo cumprido penas de prisão que chegaram a durar vários anos. Alguns dos incidentes ocorreram após 1994, sendo o mais recente em 2005.

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Seu DNA constava nos registros desde sua condenação a sete anos de prisão em 1999, por tentativa de estupro de uma jovem de 16 anos.

Embora os dados genéticos tivessem sido posteriormente descartados, a polícia conseguiu obter uma nova amostra de saliva do suspeito, que coincidiu com um vestígio de DNA encontrado nas roupas de Lopez.

Seu advogado afirmou que ele forneceu a amostra de DNA voluntariamente porque "finalmente queria esclarecimentos", descrevendo o crime como "um fardo enorme" para ele.

O réu foi preso em uma casa de repouso em Koblenz, no fim de fevereiro de 2026.

Após o veredito, o advogado de defesa Volker Klein disse que não pretendia apresentar recurso nem solicitar uma revisão do caso.

jps (dpa, ots)

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