A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem procurado rotas alternativas para entregar suprimentos médicos de emergência de seu centro em Dubai para crises como a do Líbano por meio de longas viagens terrestres, disse uma autoridade, mas o aumento dos custos de combustível pode dificultar as remessas caso a guerra com o Irã persista.
As remessas de ajuda do órgão global de saúde a partir dos Emirados Árabes Unidos estavam completamente congeladas, já que as rotas aéreas, marítimas e terrestres ficaram restritas pelo conflito com o Irã, iniciado em 28 de fevereiro com ataques aéreos dos EUA e de Israel.
O Irã respondeu, disparando drones e mísseis contra instalações de energia e outras infraestruturas em todo o Golfo Pérsico, enquanto o grupo militante Hezbollah envolveu o Líbano na guerra regional disparando contra Israel em apoio ao seu patrono, o Irã.
Para contornar problemas de transporte, os Emirados Árabes Unidos forneceram financiamento para transportar suprimentos como insulina e kits de emergência para o Líbano -- onde mais de 3.000 pessoas foram feridas -- via Arábia Saudita, Jordânia e Síria, assim como financiamento para voos fretados para outros pontos críticos como Cabul, no Afeganistão, disse uma autoridade da OMS.
"O que está acontecendo são aumentos de custo e de tempo de espera, à medida que adotamos soluções alternativas", disse à Reuters nesta quinta-feira Paul Molinaro, chefe de Operações, Suporte e Logística da OMS.
Uma autoridade dos Emirados Árabes Unidos confirmou o fornecimento de apoio aos parceiros.
Mas segundo Molinaro, o acúmulo de carga em Dubai não foi completamente eliminado, e ainda há remessas médicas menores que permanecem retidas.
A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho disse que planeja transportar ambulâncias para o Líbano por terra partindo de Dubai, mas os custos do transporte pelas estradas aumentaram cerca de 30% e houve atrasos nas fronteiras.
Questionado sobre o risco de escassez de medicamentos, Molinaro disse estar mais preocupado com os aumentos do preço do petróleo, que levariam ao esgotamento dos estoques de combustível nos países mais pobres e à retenção de estoques de ajuda.
"Podemos ter problemas sérios daqui a seis ou oito semanas", disse ele. "Acho que sentiremos isso mais rapidamente do que a escassez de medicamentos, plásticos e equipamentos."