O evento diplomático acontece em Abbaye de Vaux-de-Cernay, a 50 quilômetros de Paris, nesta quinta e sexta-feira (27), para discutir, entre outros assuntos, o conflito no Oriente Médio. Em seu discurso, Mauro Vieira chamou atenção para os desafios que a governança global enfrenta atualmente.
"Há anos ouvimos que o multilateralismo está em crise. Testemunhamos, ano após ano, a erosão das instituições que construímos desde 1945 para promover a cooperação e a confiança entre as nações. Abordagens fragmentadas ou unilaterais enfraquecem as instituições multilaterais, alimentando um crescente sentimento de frustração e desconfiança. Agora nos deparamos com as graves consequências de nossa incapacidade de abordar coletivamente essa tendência", disse o chanceler.
Entre os conflitos travados no mundo atualmente, a guerra no Oriente Médio é uma das que têm gerado maior apreensão da comunidade internacional e desdobramentos, inclusive para países que não estão envolvidos diretamente. Uma dessas consequências é o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito.
"A atração por soluções militares para problemas não resolvidos pela governança global está prejudicando gravemente nossa capacidade de proporcionar ordem, prosperidade e desenvolvimento sustentável", avaliou Vieira em seu discurso.
O G7, que reúne as maiores potências economicamente desenvolvidas, acontece em formato ampliado, com a participação de outros países, há vários anos. Além do Brasil, os ministros das Relações Exteriores da Índia, Ucrânia, Arábia Saudita e Coreia do Sul foram convidados, assim como a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas.
Trataram também da visita de trabalho de Barrot ao Brasil, no próximo 8 de abril. Discutiram ainda temas multilaterais, como os relativos à reforma da ONU e à agenda da conferência ministerial da OMC, em Cameroun, da qual o Ministro Mauro Vieira participará no fim de semana.
— Itamaraty Brasil 🇧🇷 (@ItamaratyGovBr) March 26, 2026
"Único caminho a seguir"
Entre as possíveis soluções diante dessa crise, o ministro apontou para a "construção de um consenso mínimo dentro da comunidade internacional" como "indispensável". Além disso, ele também reiterou a posição do governo brasileiro sobre reformas em instituições multilaterais e monetárias como a ONU, o FMI e o Banco Mundial, promovendo uma maior "representação" de países do Sul Global.
"O Brasil entende que a reforma de nossas instituições multilaterais é o único caminho a seguir. Devemos fortalecer, modernizar e tornar essas organizações mais inclusivas e representativas da realidade do mundo atual (...) Apoiamos uma reforma do Conselho de Segurança que atualize este órgão com as realidades e demandas do século XXI, ampliando sua composição para garantir a representação de países da África, da América Latina e do Caribe", detalha o chanceler.
"Os mesmos princípios se aplicam à reforma do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, por exemplo, por meio do aumento da representação dos países em desenvolvimento e do incremento dos fundos disponíveis para o combate à pobreza e às mudanças climáticas", acrescenta.
Por fim, voltando-se ao G7, o ministro brasileiro disse durante o discurso que os países membros do bloco "têm um papel fundamental" para frear a "erosão da governança global".
"Três dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança pertencem a este grupo (...) Atualmente, estamos em uma encruzilhada entre a desordem global de proporções históricas e a governança global que protege os interesses comuns da humanidade. O Brasil fez sua escolha", concluiu Mauro Vieira.