G7: na França, Mauro Vieira defende reforma de instituições como caminho para frear crise do multilateralismo

Em participação na cúpula do G7, na França, nesta quinta-feira (26), o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, alertou para a "crise do multilateralismo" no mundo atualmente, diante da "maior concentração de conflitos desde a Segunda Guerra". O chanceler ratificou ainda a postura do governo brasileiro em relação à necessidade de reformas e fortalecimento de instituições multilaterais.

26 mar 2026 - 17h06
(atualizado às 17h09)

O evento diplomático acontece em Abbaye de Vaux-de-Cernay, a 50 quilômetros de Paris, nesta quinta e sexta-feira (27), para discutir, entre outros assuntos, o conflito no Oriente Médio. Em seu discurso, Mauro Vieira chamou atenção para os desafios que a governança global enfrenta atualmente.

Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira (esq.), cumprimenta o chanceler da França, Jean-Noël Barrot, durante a reunião do G7.
Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira (esq.), cumprimenta o chanceler da França, Jean-Noël Barrot, durante a reunião do G7.
Foto: AFP - ALAIN JOCARD / RFI

"Há anos ouvimos que o multilateralismo está em crise. Testemunhamos, ano após ano, a erosão das instituições que construímos desde 1945 para promover a cooperação e a confiança entre as nações. Abordagens fragmentadas ou unilaterais enfraquecem as instituições multilaterais, alimentando um crescente sentimento de frustração e desconfiança. Agora nos deparamos com as graves consequências de nossa incapacidade de abordar coletivamente essa tendência", disse o chanceler.

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Entre os conflitos travados no mundo atualmente, a guerra no Oriente Médio é uma das que têm gerado maior apreensão da comunidade internacional e desdobramentos, inclusive para países que não estão envolvidos diretamente. Uma dessas consequências é o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito.

"A atração por soluções militares para problemas não resolvidos pela governança global está prejudicando gravemente nossa capacidade de proporcionar ordem, prosperidade e desenvolvimento sustentável", avaliou Vieira em seu discurso.

O G7, que reúne as maiores potências economicamente desenvolvidas, acontece em formato ampliado, com a participação de outros países, há vários anos. Além do Brasil, os ministros das Relações Exteriores da Índia, Ucrânia, Arábia Saudita e Coreia do Sul foram convidados, assim como a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas.

"Único caminho a seguir"

Entre as possíveis soluções diante dessa crise, o ministro apontou para a "construção de um consenso mínimo dentro da comunidade internacional" como "indispensável". Além disso, ele também reiterou a posição do governo brasileiro sobre reformas em instituições multilaterais e monetárias como a ONU, o FMI e o Banco Mundial, promovendo uma maior "representação" de países do Sul Global.

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"O Brasil entende que a reforma de nossas instituições multilaterais é o único caminho a seguir. Devemos fortalecer, modernizar e tornar essas organizações mais inclusivas e representativas da realidade do mundo atual (...) Apoiamos uma reforma do Conselho de Segurança que atualize este órgão com as realidades e demandas do século XXI, ampliando sua composição para garantir a representação de países da África, da América Latina e do Caribe", detalha o chanceler.

"Os mesmos princípios se aplicam à reforma do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, por exemplo, por meio do aumento da representação dos países em desenvolvimento e do incremento dos fundos disponíveis para o combate à pobreza e às mudanças climáticas", acrescenta.

Por fim, voltando-se ao G7, o ministro brasileiro disse durante o discurso que os países membros do bloco "têm um papel fundamental" para frear a "erosão da governança global".

"Três dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança pertencem a este grupo (...) Atualmente, estamos em uma encruzilhada entre a desordem global de proporções históricas e a governança global que protege os interesses comuns da humanidade. O Brasil fez sua escolha", concluiu Mauro Vieira.

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A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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