O governo da Groenlândia apresentou nesta quarta-feira (21) um novo livreto com orientações à população para situações de "crise" no país, em meio à insistência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de anexar o território.
O documento foi descrito pelo ministro da Autossuficiência, Peter Borg, como uma medida preventiva. "É uma apólice de seguro, mas esperamos que não seja necessário", afirmou ele durante uma coletiva de imprensa em Nuuk, capital do território autônomo.
O trabalho, intitulado "Preparado para Crises - Seja Autossuficiente por cinco dias", começou no ano passado "num contexto de cortes de energia de duração variável", de acordo com o governo da Groenlândia.
As orientações recomendam armazenar comida suficiente para cinco dias, três litros de água por pessoa por dia, papel higiênico, um rádio a pilha, além de armas, munição e equipamento de pesca.
Nesta semana, o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, chegou a afirmar que uma operação militar contra o território era "improvável", mas que a população deveria, mesmo assim, estar preparada.
Hoje, Trump afirmou no Fórum Econômico Mundial, em Davos, que não usaria a força para anexar a Groenlândia, enquanto exigiu negociações imediatas para adquirir a ilha.
Além disso, classificou o território como uma região "sem defesa" e situada "em uma localização estratégica", além de criticar duramente a Dinamarca, chamando-a de "ingrata".
Em Copenhague, o ministro das Relações Exteriores, Lars L?kke Rasmussen, comentou as declarações do republicano e afirmou que a ambição de Trump de anexar a ilha "permanece intacta", embora tenha avaliado como positiva a sinalização de que a força militar não seria utilizada.
"É certamente positivo ? isoladamente ? que ele tenha dito 'não usaremos a força militar'; obviamente, temos que levar isso em consideração, mas isso não resolve o problema", concluiu.