Greg Bovino, o 'Darth Vader' da fronteira: conheça o rosto da ofensiva de Trump contra imigrantes

Chefe da Patrulha de Fronteiras, Bovino se tornou o símbolo da política agressiva de Donald Trump contra a imigração clandestina

26 jan 2026 - 07h34
(atualizado às 08h16)
Resumo
Greg Bovino tornou-se símbolo da política anti-imigração de Trump, liderando operações polêmicas e midiáticas que destacam o endurecimento e a repercussão do trumpismo nos Estados Unidos.
O comandante da Patrulha de Fronteiras, Gregory Bovino, autointitulado "Dark Vader da fronteira", fala durante uma coletiva de imprensa no edifício federal Bishop Henry Whipple em 22 de janeiro de 2026, em Minneapolis, Minnesota.
O comandante da Patrulha de Fronteiras, Gregory Bovino, autointitulado "Dark Vader da fronteira", fala durante uma coletiva de imprensa no edifício federal Bishop Henry Whipple em 22 de janeiro de 2026, em Minneapolis, Minnesota.
Foto: Getty Images via AFP - STEPHEN MATUREN / RFI

Enquanto a maioria dos agentes do ICE (polícia federal de imigração) cobre o rosto durante operações, Greg Bovino se expõe sem problemas. Chefe da Patrulha de Fronteiras, ele se tornou o símbolo da política agressiva de Donald Trump contra a imigração clandestina. Bovino não hesita em ir à linha de frente pessoalmente, lançando granadas de gás lacrimogêneo contra manifestantes, sempre respaldado pela administração Trump, mesmo após a morte de cidadãos norte-americanos em Minneapolis.

Vídeos recentes mostraram policiais atirando contra Alex Pretti, enfermeiro de UTI, enquanto ele estava no chão. Para Bovino, porém, as verdadeiras vítimas são os agentes federais. "O fato de os agentes serem altamente treinados evitou disparos contra as forças de segurança. Parabéns a eles por controlar a situação antes que pudesse piorar", afirmou Bovino à CNN. Embora Pretti estivesse armado legalmente, nenhum vídeo mostra a arma em suas mãos.

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Especialistas veem Bovino como a peça central da ofensiva de Trump. Para Cesar Garcia Hernandez, professor de direito de imigração da Universidade Estadual de Ohio, Bovino transforma a retórica agressiva do governo em ação concreta:

"Ele leva as palavras de Trump, da secretária da Segurança Interna Kristi Noem e de outros líderes a uma realidade operacional", disse Hernandez à AFP.

"Agir e bater em retirada"

Nos últimos anos, Bovino, 55, liderou operações de grande repercussão em cidades como Los Angeles e Chicago, usando a chamada tática "Agir e bater em retirada": entrar rapidamente, efetuar prisões e se retirar antes que manifestantes se mobilizem.

Ele estava em Minneapolis quando, em 7 de janeiro, um agente matou Renee Good, mãe de 37 anos, em seu próprio carro. Ele ainda defendeu a detenção temporária de uma criança de cinco anos enquanto buscavam o pai, afirmando: "Somos especialistas em lidar com crianças". Semana passada, imagens mostraram Bovino lançando pessoalmente gás lacrimogêneo contra manifestantes, enquanto dizia: "Vou lançar gás. Afaste-se. O gás está chegando."

Ao contrário de seus agentes mascarados, Bovino gosta de se expor. Descendente de imigrantes italianos da Carolina do Norte, ele prefere os holofotes e a polêmica. Fora das operações, veste um longo casaco verde transpassado, modelo usado nas duas guerras mundiais, o que provocou comparações críticas, incluindo a do governador democrata da Califórnia, Gavin Newsom: "Parece uniforme da SS [a polícia nazista]."

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Bovino rebateu, dizendo que se trata do uniforme padrão da Patrulha de Fronteiras, que ele possui há mais de 25 anos.

Para Hernandez, a atuação de Bovino envia uma mensagem clara: "Não há espaço para dissidência nos Estados Unidos sob esta administração. É uma perspectiva assustadora".

O "apolítico" e o show nas redes

Bovino, que se declara "apolítico", segue a estratégia de Trump de gerar repercussão e espetáculo. Em suas redes, publica vídeos e informações distorcidas — como afirmar que 90% dos moradores de Minneapolis apoiam ações do ICE, o que pesquisas desmentem.

Em El Centro, cidade localizada no estado da Califórnia, nos Estados Unidos,  próxima à fronteira com o México, considerada uma área estratégica para operações de imigração, como as conduzidas pelo ICE ou pela Patrulha de Fronteiras, cinco agentes eram responsáveis por produzir conteúdo midiático; hoje, o perfil de Bovino no X o mostra segurando um fuzil automático, respondendo a comentários e postando fotos de detidos.

Em maio de 2025, sua unidade foi representada em um vídeo como Darth Vader de Star Wars, lutando contra inimigos de Trump: cidades-santuário democratas, tráfico de drogas, fentanyl e desinformação. A missão de Bovino não tem fim previsto: "Estamos aqui para ficar anos. Não vamos embora até que o problema seja resolvido", declarou em dezembro de 2025, com apoio declarado do Departamento de Segurança Interna em suas redes sociais.

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Os personagens do trumpismo

Especialistas apontam que o trumpismo hoje é mais que um conjunto de políticas — é um ecossistema político que une figuras que atuam em distintos papéis: o executor nas ruas (Greg Bovino), estrategistas de política (como Stephen Miller, considerado o cérebro das políticas de imigração mais duras de Trump), articuladores políticos (como a estrategista Susie Wiles), mobilizadores de base (como o influenciador assassinado Charlie Kirk), e dirigentes que consolidam a continuidade do movimento (como o vice J. D. Vance).

Essa constelação mostra como o trumpismo se expandiu além de uma liderança individual para se tornar um movimento com múltiplos rostos e funções, cada um contribuindo à sua maneira para a manutenção da agenda política e cultural que caracteriza a era Trump.

Com AFP

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