O governo italiano anunciou um pacote de 430 milhões de euros em créditos fiscais para caminhoneiros, buscando conter protestos e bloqueios de estradas no sul do país contra a disparada do diesel. A alta dos combustíveis, que acumula quase 40% em um ano, já causava desabastecimento em diversas cidades e ameaçava deflagrar uma greve nacional. O vice-premiê Matteo Salvini prometeu pagamentos imediatos e recursos extras para mitigar o impacto da inflação no setor de transportes.
O vice-premiê e ministro da Infraestrutura e dos Transportes da Itália, Matteo Salvini, anunciou nesta terça-feira (20) um pacote de ajuda de 430 milhões de euros (R$ 2,4 bilhões) em créditos fiscais para caminhoneiros, categoria que vem realizando manifestações diárias, sobretudo no sul do país, para protestar contra a disparada dos combustíveis.
"Decidimos que esse dinheiro deve começar a ser pago nesta semana, porque muitas empresas não podem esperar", disse o líder nacionalista à rádio RTL 102.5.
Salvini também se reuniu com representantes do setor nesta terça-feira e prometeu "recursos adicionais" para compensar a inflação.
Os protestos começaram na semana passada em várias partes da Itália meridional, com caminhoneiros bloqueando estradas em protesto contra a alta do preço do diesel.
As paralisações já provocam desabastecimento de produtos frescos em supermercados e feiras em cidades como Catania, na Sicília; Scalea, na Calábria; Cerignola, na Puglia; Mercogliano, na Campânia; e Sora, Cassino e Fabrica di Roma, no Lazio.
Na semana passada, o presidente da confederação de caminhoneiros Conftrasporto, Pasquale Russo, afirmou que a categoria pode ser forçada a realizar uma greve nacional se o governo não adotar medidas concretas contra a inflação. No entanto, um comitê da Sicília já prometeu revogar os bloqueios na ilha, na esteira da reunião com Salvini.
O preço médio do diesel na Itália encerrou setembro com um valor médio de 2,248 euros (R$ 12,65) por litro, alta de 7% em relação a agosto, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente e da Segurança Energética. Em um ano, o aumento é de quase 40%.
O governo da premiê Giorgia Meloni culpa a guerra no Irã pela disparada dos combustíveis e planeja elevar o déficit fiscal na próxima Lei Orçamentária para financiar medidas de combate à inflação, faltando cerca de um ano para as eleições legislativas.