Turistas canadenses denunciaram um restaurante em Veneza à associação de defesa do consumidor Adico após pagarem 156 euros (cerca de R$ 879) por um linguado assado. O casal alega que o preço e a cobrança por peso não foram informados previamente pelo garçom, nem discriminados no recibo. O estabelecimento nega irregularidades e afirma que o valor de 13 euros por 100 gramas constava no cardápio. A Adico alertou que a omissão de dados configura infração e prejudica a imagem da cidade.
Dois turistas canadenses denunciaram a falta de transparência nos preços de um restaurante em Veneza, na Itália, após pagarem 156 euros (aproximadamente R$ 879, na cotação atual) por um linguado assado que, segundo eles, não constava no cardápio consultado.
O caso foi divulgado no último fim de semana pela Adico, associação italiana de defesa dos consumidores, que recebeu uma reclamação por e-mail em meados deste mês.
O recibo da refeição feita na Trattoria Ali d'Oro, localizada na Fondamenta de l'Osmarin, mostra, além do peixe, uma pizza Margherita por oito euros e uma água mineral sem gás por ? 4,50.
Segundo os turistas, o valor do prato do peixe foi uma surpresa, pois o garçom que o recomendou não teria informado o preço nem explicado que a cobrança seria feita por peso.
O casal, formado por Julie Li e seu companheiro, afirmou que pagou a conta no momento em que recebeu o recibo, sem contestar o valor publicamente, para evitar um confronto no estabelecimento.
Em resposta às acusações, o estabelecimento negou irregularidades e afirmou que o cardápio informava o preço de 13 euros por cada 100 gramas de linguado assado e que os próprios clientes escolheram o peixe, que pesava 1,25 quilo.
A versão dos turistas, no entanto, é diferente. No e-mail encaminhado à Adico, eles relataram que o cardápio consultado apresentava pratos de carne e peixe com preços entre 21 e 34,50 euros.
Segundo o casal canadense, ao pedirem uma recomendação, o garçom mostrou uma foto de um linguado inteiro assado, acompanhado de batatas e pimentão verde, mas não informou o custo total nem explicou que o preço seria calculado pelo peso.
Os turistas também questionaram a falta de detalhes no recibo, que, segundo eles, não especificava o peso do peixe, o preço por unidade de medida ou o cálculo do valor cobrado. "Se tivéssemos sido informados do preço antes de fazer o pedido, não teríamos escolhido esse prato", afirmaram.
Consultada sobre o caso, a associação italiana explicou que os restaurantes devem fornecer informações claras sobre os preços, especialmente quando oferecem produtos vendidos por peso que não estão incluídos no cardápio habitual.
De acordo com a associação, o estabelecimento deve informar o preço por unidade de medida, o peso do produto e os dados necessários para que o consumidor conheça o custo da refeição antes de fazer o pedido. A omissão dessas informações pode configurar uma infração administrativa, e a cobrança pode ser contestada.
A entidade também orientou que denúncias formais sobre possíveis irregularidades na divulgação de preços sejam encaminhadas à Polícia Municipal ou à Guarda de Finanças, força policial italiana que atua, entre outras áreas, na fiscalização econômica e financeira.
A Adico criticou ainda a conduta de comerciantes que, segundo a associação, prejudicam a imagem de Veneza ao não esclarecer adequadamente os preços aos visitantes.
A cidade já foi alvo de outras reclamações envolvendo cobranças consideradas abusivas. Em setembro, um caso chamou a atenção após a inclusão de uma taxa extra por música em uma conta do histórico Caffè Florian.