Força antiterrorismo investiga atropelamento de deputada na Austrália

19 out 2026 - 11h48
Resumo
A deputada australiana Helen Haines está em estado crítico após ser atropelada deliberadamente em frente ao seu escritório em Wangaratta. O motorista de 43 anos foi contido por testemunhas e preso com uma faca no veículo. Uma força-tarefa antiterrorismo investiga o caso como incidente isolado. O primeiro-ministro Anthony Albanese lamentou o ocorrido e alertou para a crescente tensão política impulsionada pelo anonimato nas redes sociais, em meio a dados que revelam alta nas ameaças a parlamentares.

A deputada australiana Helen Haines estava em estado crítico nesta segunda-feira ‌após ter sido atropelada deliberadamente por um carro em frente ao seu escritório, enquanto o primeiro-ministro Anthony Albanese afirmou que uma força-tarefa antiterrorismo vai investigar um suspeito preso.

Albanese disse em uma coletiva de imprensa que ainda era cedo para determinar o motivo do ataque, mas posteriormente apontou que as mudanças nas redes sociais aumentaram a tensão em torno da política em um país onde esse tipo de violência é extremamente raro.

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A Polícia de Victoria informou que um homem de ⁠43 anos foi preso após o ataque à deputada independente Haines em Wangaratta, a cerca de três horas de carro a ‌nordeste de Melbourne.

O superintendente interino Ashley Mason disse em uma coletiva de imprensa que Haines foi atropelada por um Toyota Land Cruiser branco enquanto dirigia pela Murphy Street, onde fica seu escritório. O motorista foi detido por pessoas que ‌testemunharam o incidente, disse ele.

Mason afirmou ainda que uma faca foi encontrada dentro ‌do veículo.

Haines, de 65 anos, foi transportada de helicóptero para o hospital, onde se encontra em estado crítico, ⁠informaram a polícia e Albanese.

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OPOSIÇÃO CONDENA ATO

Quando questionado pela emissora pública ABC se o aumento da raiva em torno da política havia gerado preocupações com ataques, o primeiro-ministro destacou o anonimato do conteúdo online.

"A preocupação é que, se você observar os feeds de mídia social de qualquer pessoa e ler os comentários, as pessoas dizem coisas que nunca diriam cara a cara. Mas o clima, sem dúvida, ficou mais tenso. Não apenas aqui na Austrália, é claro. Também temos visto ‌incidentes internacionalmente", disse.

"Aqui na Austrália, é bom que os políticos possam circular pela comunidade e interagir com as pessoas. Não quero ‌ver um sistema político em que não ⁠seja possível conversar com as ⁠pessoas no supermercado, na rua, em encontros de rua ou em fóruns públicos. Essa é uma parte importante da nossa democracia."

O líder da ⁠oposição, Angus Taylor, descreveu o dia como "chocante" para a Austrália.

"Nosso país ‌não pode se tornar um lugar onde ‌ataques violentos sejam normalizados", afirmou.

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NENHUMA AMEAÇA AO PÚBLICO

Mason, da Polícia de Victoria, disse em uma coletiva de imprensa que não havia mais nenhuma ameaça ao público e que estavam tratando o caso como um incidente isolado.

Embora a polícia australiana não tenha fornecido detalhes sobre ligações específicas às redes sociais ou ameaças neste caso, políticos em ⁠todo o mundo estão enfrentando um aumento na violência, nas ameaças e no assédio, de acordo com uma pesquisa publicada em fevereiro pela União Interparlamentar (IPU, na sigla em inglês).

A IPU, que reúne 183 parlamentos nacionais, informou que 71% de todos os entrevistados relataram ter sofrido violência por parte do público, principalmente na internet.

O ministro do Interior, Tony Burke, disse na coletiva de imprensa com Albanese que os incidentes de comportamento ameaçador ‌ou de assédio contra parlamentares na Austrália aumentaram para 1.067 no último ano, contra 951 anteriormente.

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No Reino Unido, dois parlamentares em exercício foram assassinados desde 2016. Neste mês, o ministro do Interior britânico anunciou uma revisão urgente das ⁠medidas de segurança para figuras públicas de destaque, após o assassinato de um ex-ministro em julho, que, segundo os promotores, teria motivação ideológica.

Os EUA também registraram tentativas de assassinato contra o presidente Donald Trump, incluindo um tiro que atingiu sua orelha durante a campanha de reeleição, em 2024.

"ORANDO POR RECUPERAÇÃO TOTAL"

Haines trabalhou como enfermeira e parteira e atuou na área acadêmica antes de ser eleita para o Parlamento como independente em 2019, pelo distrito eleitoral de Indi.

Seu site informa que ela se opôs a propostas como tornar mais sigilosas as doações políticas aos principais partidos, proibir o uso de celulares em centros de detenção de imigrantes e gastar bilhões em subsídios a combustíveis fósseis.

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"Todos os nossos pensamentos estão com Helen, sua família, seus amigos, sua equipe e sua comunidade neste momento extremamente difícil. Estamos rezando por sua recuperação total", disse Albanese na coletiva de imprensa.

A família de Haines postou em sua página do Facebook: "Agradecemos a rápida assistência das pessoas que estavam por perto e dos dedicados profissionais de saúde que a socorreram, bem como à polícia por sua intervenção."

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