Fevereiro Sem Selular: campanha global convida a repensar relação com smartphones

Um movimento global chamado Fevereiro Sem Selular (Phone Free February) convida pessoas em todo o mundo a reduzir drasticamente ou até abandonar o uso do celular durante o mês de fevereiro, em um esforço para repensar a relação com a tecnologia e recuperar o controle sobre o próprio tempo.

23 jan 2026 - 12h19

Inspirada em campanhas como o Janeiro Seco ou Janeiro Sem Álcool, que incentivam a abstinência de álcool por um mês, a iniciativa propõe um "detox digital" para ajudar os participantes a perceberem o impacto do smartphone em sua rotina, produtividade e bem-estar.

Uma campanha global propõe a redução do uso do celular em fevereiro.n
Uma campanha global propõe a redução do uso do celular em fevereiro.n
Foto: © Adobe Express / RFI

Segundo a Global Solidarity Foundation, organização por trás da campanha, os smartphones são projetados para manter os usuários "presos" à tela, levando a checagens constantes, em média 221 vezes por dia.

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Jacob Warn, da fundação, disse ao jornal The Washington Post que o objetivo da campanha é fazer com que as pessoas questionem para que realmente usam o celular no dia a dia. Ela reconhece, porém, que o afastamento completo pode não ser viável para todos, especialmente quem depende do aparelho para o trabalho, sugerindo alternativas como reduzir o uso de redes sociais e mensagens nos momentos de lazer.

Especialistas em saúde mental também reforçam a relevância da iniciativa. Emily Hemendinger, professora assistente de psiquiatria na Escola de Medicina da Universidade do Colorado, destaca que o detox digital pode trazer benefícios, mas alerta que o efeito depende de cada pessoa e de seus objetivos. Para Hemendinger, citada no site da fundação, o ideal é que o período sem celular sirva para repensar hábitos a longo prazo e não apenas como uma pausa temporária que será interrompida ao fim do mês.

Saúde mental

A preocupação com a saúde mental é outro fator central da campanha. Estudos e especialistas indicam que o uso excessivo de smartphones está associado a maiores taxas de ansiedade, depressão, distúrbios do sono e isolamento social. Também é apontado como um dos fatores por trás do aumento de casos de autolesão entre adolescentes e jovens adultos.

Dino Ambrosi, fundador do Project Reboot, um programa educacional para auxiliar jovens em suas relações no mundo digital, observa que os smartphones dominam grande parte do tempo livre, afirmando que, se um jovem de 18 anos nos Estados Unidos viver até os 90 anos, ele passará 93% de seu tempo livre olhando para telas.

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