Família de Hind Rajab segue pedindo justiça mais de um ano após a morte da menina em Gaza

As circunstâncias da morte da criança provocaram indignação internacional. Em 29 de janeiro de 2024, Hind Rajab foi morta junto com vários parentes enquanto tentavam fugir da cidade de Gaza. De dentro do carro atingido por dezenas de disparos, a menina palestina fez um pedido desesperado de socorro. Seu corpo só seria encontrado dias depois, ao lado dos familiares e de dois socorristas do Crescente Vermelho.

25 ago 2026 - 11h58
Resumo
Após Israel assumir a responsabilidade pelas mortes da menina palestina Hind Rajab, de sua família e de socorristas em Gaza, parentes rejeitam a investigação militar do país e exigem um inquérito independente no Tribunal Penal Internacional. O caso gerou forte indignação global e inspirou o documentário premiado "A voz de Hind Rajab", indicado ao Oscar. A família denuncia a falta de imparcialidade israelense e cobra punição por crimes de guerra contra crianças palestinas.

Rami El Meghari, correspondente da RFI em Gaza, e agências

Há poucos dias, o Exército israelense reconheceu pela primeira vez que atirou contra o veículo e anunciou a abertura de uma investigação.

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Mais de dois anos e meio após a morte de Hind Rajab em Gaza, a avó ainda mostra no celular as inúmeras fotos da menina palestina. O sorriso infantil, congelado para sempre, reacende a dor em Oum Rami: "Hind era uma criança inocente (...) Queríamos que ela vivesse a infância com dignidade e liberdade."

Os familiares revivem, sem parar, o sofrimento que a pequena Hind e sua família devem ter enfrentado. Eles foram mortos pelo Exército israelense junto com dois socorristas palestinos que tentavam resgatá-los. Na semana passada, ao reconhecer sua responsabilidade, o Exército israelense anunciou uma investigação sobre o caso, que classificou como um "incidente".

Mas a avó não acredita nessa tese. "Logo após a morte deles, o Exército (de Israel) negou a participação de seus soldados. Não temos nenhuma confiança no sistema judicial deles nem na sua imparcialidade, porque cometeram crimes deliberados, não apenas contra Hind, mas contra todas as crianças de Gaza", denuncia.

Oum Rami lembra que 21 mil meninos e menias foram mortos no território palestino nesse conflito, iniciado após os ataques do Hamas contra Israel, em 7 de outubro de 2023. "Todos os dias, o Estado de Israel (...) assassina crianças, bombardeia escolas e hospitais. (...) O mundo fala do caso de Hind porque foi documentado, enquanto os crimes do ocupante acontecem todos os dias, 24 horas por dia", ressalta

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A família exige uma investigação independente. Diversos relatórios já apontaram a responsabilidade do Exército israelense, entre eles, as conclusões da Fundação Hind Rajab, que apresentou uma denúncia por crime de guerra ao Tribunal Penal Internacional.

Tragédia virou documentário

As circunstâncias da morte da menina provocaram indignação internacional. As gravações originais do seu pedido de socorro aos serviços de emergência foram incluídas no documentário A voz de Hind Rajab, dirigido por Kaouther Ben Hania e indicado ao Oscar, o que ampliou ainda mais a repercussão do caso. Apresentado pela primeira vez no Festival de Cinema de Veneza, o filme foi premiado com o Leão de Prata - Grande Prêmio do Júri.

O Exército israelense havia negado anteriormente que suas tropas estivessem na área onde os fatos ocorreram. Mas neste mês de agosto, depois de assumir a responsabilidade, o Ministério das Relações Exteriores de Israel afirmou que a abertura dessa investigação penal demonstra que o país é uma "democracia que respeita as leis" e está comprometida com o Estado de direito. 

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