'Extremamente estranho': o que se sabe sobre colisão entre trens de alta velocidade na Espanha que deixou pelo menos 39 mortos

Mais de 400 passageiros estavam a bordo dos trens que descarrilaram perto da cidade de Córdoba, no pior acidente ferroviário da Espanha em mais de uma década.

19 jan 2026 - 06h23
Acidente aconteceu em trecho reto da ferrovia que havia passado por renovação recente
Acidente aconteceu em trecho reto da ferrovia que havia passado por renovação recente
Foto: Reuters / BBC News Brasil

Ao menos 39 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas em uma colisão de trens no sul da Espanha no domingo (18/1), segundo a Guarda Civil espanhola. A tragédia já é considerada o pior acidente ferroviário da história do país em mais de uma década.

Vagões de um trem com destino a Madri descarrilaram e cruzaram para os trilhos opostos, colidindo com um trem que vinha na direção oposta em Adamuz, na noite de domingo.

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Quatrocentos passageiros e funcionários estavam a bordo dos dois trens, informaram as empresas ferroviárias. Os serviços de emergência atenderam 122 pessoas. Destas, 48 pessoas — incluindo cinco crianças — seguem hospitalizadas. Onze adultos e uma criança estão em unidades de terapia intensiva.

As autoridades iniciaram uma investigação sobre as causas do acidente. O ministro dos Transportes da Espanha, Óscar Puente, disse que o número de mortos "ainda não é definitivo".

'Extremamente estranho'

Puente disse que o acidente é "extremamente estranho". Todos os especialistas ferroviários consultados pelo governo "estão extremamente perplexos com o acidente", disse ele a repórteres em Madri.

A operadora da rede ferroviária Adif disse que a colisão ocorreu às 19h45, horário local de domingo (14h45 no horário de Brasília), cerca de uma hora depois que o trem partiu de Málaga em direção a Madri, quando descarrilou.

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O acidente aconteceu em um trecho reto da linha férrea perto da cidade de Córdoba que havia passado por recente renovação, tendo recebido 700 milhões de euros para a obra, segundo declarações do ministro ao jornal espanhol El País. Outro fator que causou estranheza às autoridades é que o trem era considerado "praticamente novo" — tendo sido fabricado há quatro anos.

A força do impacto empurrou os vagões do segundo trem para um aterro, disse Puente. Ele afirmou que a maioria dos mortos e feridos estava nos vagões da frente do segundo trem, que viajava de Madri para Huelva, no sentido sul.

O tipo de trem envolvido no acidente era um Freccia 1000, que pode atingir velocidades máximas de 400 km/h, disse um porta-voz da empresa ferroviária italiana Ferrovie dello Stato à agência de notícias Reuters.

As equipes de resgate disseram que os destroços retorcidos dos trens dificultaram o resgate de pessoas presas dentro dos vagões.

"Tivemos até que remover um cadáver para conseguir chegar a alguém com vida. É um trabalho difícil e complicado", disse o chefe dos bombeiros de Córdoba, Francisco Carmona, à emissora pública espanhola RTVE.

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Como 'um terremoto'

Salvador Jimenez, jornalista da RTVE que estava em um dos trens, disse que o impacto foi como um "terremoto".

"Eu estava no primeiro vagão. Houve um momento em que senti como se fosse um terremoto e o trem realmente descarrilou", disse Jimenez.

Imagens do local mostram que alguns vagões tombaram para o lado. Equipes de resgate podem ser vistas escalando o trem para retirar pessoas pelas portas e janelas tortas.

José, um passageiro que viajava para Madri, disse à emissora pública Canal Sur: "Havia pessoas gritando e chamando por médicos."

Os passageiros foram levados para hospitais e postos médicos próximos ao local do acidente
Foto: Reuters / BBC News Brasil

Todos os serviços ferroviários entre Madri e a Andaluzia foram suspensos após o acidente e devem permanecer fechados durante toda segunda-feira (19/1).

A Iryo, empresa ferroviária privada que operava a viagem de Málaga, informou que cerca de 300 passageiros estavam a bordo do trem que descarrilou primeiro, enquanto o outro trem - operado pela empresa estatal Renfe - transportava cerca de 100 passageiros.

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A causa oficial ainda não é conhecida. A investigação não deve ser concluída em menos de um mês, segundo o ministro dos Transportes.

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, disse que o país passará por uma "noite de profunda dor".

O prefeito de Adamuz, Rafael Moreno, foi uma das primeiras pessoas a chegar ao local do acidente, descrevendo a situação como "um pesadelo".

O rei Felipe 6º e a rainha Letizia disseram que acompanhavam as notícias do desastre "com grande preocupação".

"Expressamos as nossas mais sinceras condolências aos familiares e entes queridos dos falecidos, bem como o nosso amor e votos de rápida recuperação aos feridos", disse o palácio real em publicação no X.

A agência de emergência da região da Andaluzia pediu a todos os sobreviventes do acidente que entrem em contato com suas famílias ou publiquem nas redes sociais que estão vivos.

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Amigos e familiares têm procurado informações sobre seus entes queridos que estão a bordo de um dos trens
Foto: EPA / BBC News Brasil

Postos médicos foram instalados para que os passageiros afetados pudessem receber tratamento para seus ferimentos e serem transferidos para o hospital. A Adif informou que disponibilizou espaços para os familiares das vítimas nas estações de Atocha, Sevilha, Córdoba, Málaga e Huelva.

A Cruz Vermelha Espanhola enviou serviços de apoio emergencial ao local, além de oferecer apoio psicológico às famílias das proximidades.

Miguel Ángel Rodríguez, da Cruz Vermelha, disse à rádio RNE: "As famílias estão passando por uma situação de grande ansiedade devido à falta de informações. São momentos muito angustiantes."

O saguão do hospital próximo ao local do acidente, Caseta Municipal em Adamuz, ficou lotado
Foto: Reuters / BBC News Brasil

O presidente da França, Emmanuel Macron, a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, publicaram declarações oferecendo condolências.

"Meus pensamentos estão com as vítimas, suas famílias e todo o povo espanhol. A França está ao seu lado", escreveu Macron nas redes sociais.

Em 2013, a Espanha sofreu o pior descarrilamento de trem de alta velocidade de sua história. O acidente aconteceu na Galícia, noroeste do país, e deixou 80 mortos e 140 feridos.

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A rede ferroviária de alta velocidade da Espanha é a segunda maior do mundo, atrás da China, conectando mais de 50 cidades em todo o país. Dados da Adif mostram que a malha ferroviária espanhola tem mais de 4 mil km de extensão.

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