O ex-ministro italiano e líder histórico da esquerda Fabio Mussi faleceu em Roma aos 78 anos. Com trajetória iniciada no Partido Comunista Italiano (PCI), Mussi atuou como jornalista, foi deputado entre 1992 e 2008, vice-presidente da Câmara e ministro das Universidades e da Pesquisa no governo de Romano Prodi (2006-2008). Protagonista das transformações da esquerda no país, recusou a adesão ao Partido Democrático e integrava a Sinistra Italiana, deixando um legado de firmeza ideológica.
O ex-ministro italiano das Universidades e da Pesquisa Fabio Mussi, um expoente histórico da esquerda, morreu na noite de quarta-feira (2), aos 78 anos, no Hospital Sant'Eugenio, em Roma.
A informação foi divulgada nesta quinta (3) pela Aliança Verde-Esquerda (AVS), coalizão à qual era ligado. A causa da morte não foi revelada.
"Fabio Mussi faleceu ontem à noite no Hospital Sant'Eugenio, em Roma", diz o comunicado, lembrando que Mussi foi "ministro no governo Prodi, um expoente histórico da esquerda e, atualmente, era um líder do Sinistra Italiana (SI)", integrante da coalizão.
Nascido em Piombino, na província de Livorno, em 22 de janeiro de 1948, Mussi era filho de trabalhadores e ingressou no Partido Comunista Italiano (PCI) aos 17 anos. Estudou literatura na Scuola Normale Superiore de Pisa e iniciou ainda jovem sua trajetória política.
Em 1979, aos 31 anos, entrou para o Comitê Central do PCI, tornando-se o integrante mais jovem. Com a transformação da esquerda italiana após a dissolução do PCI, Mussi passou a integrar o Partido Democrático da Esquerda (PDS) e, posteriormente, os Democratas de Esquerda (DS).
Mussi exerceu mandato parlamentar de 1992 a 2008. Ao longo do período, ocupou posições de liderança em grupos de esquerda e de centro-esquerda. Em 1996, foi líder da bancada do PDS-Ulivo na Câmara dos Deputados e, em 2001, tornou-se vice-presidente da Casa.
Entre 2006 e 2008, integrou o segundo governo do premiê da Itália Romano Prodi como ministro do Ensino Superior e da Pesquisa.
Mussi foi uma das principais vozes da ala esquerda dos DS.
Quando a maior parte do partido decidiu se fundir, em 2007, com uma legenda centrista para criar o Partido Democrático (PD), de centro-esquerda, ele optou por não aderir à nova sigla.
Sua trajetória política foi marcada pela participação nas sucessivas reorganizações da esquerda italiana desde o fim do PCI. Durante esse processo, Mussi ocupou diferentes funções de liderança parlamentar e partidária e tornou-se uma das principais referências.
Além da política, Mussi teve uma longa trajetória no jornalismo.
Foi editor-adjunto da Rinascita, revista ligada ao Partido Comunista Italiano, e posteriormente coeditor do jornal L'Unità, historicamente associado à esquerda italiana.
A AVS informou que detalhes sobre as cerimônias de despedida seriam divulgados pela família nas próximas horas.
Em nota, o líder da Esquerda Italiana (SI), Nicola Fratoianni, lamentou a morte de Mussi, descrevendo-o como um político extraordinário, intelectual refinado e uma figura de grande cultura, curiosidade e inquietação.
"Fabio Mussi se foi. Quando abri os olhos esta manhã e vi a mensagem de Valentina, sua filha, não pude acreditar", escreveu Fratoianni, relembrando a personalidade marcante do ex-ministro e destacando sua "voz vibrante", o humor e a paixão com que discutia política.
Segundo ele, Mussi costumava telefonar para conversar sobre os problemas do país e os rumos da política italiana. Para o dirigente, essa dedicação refletia uma concepção de política voltada à transformação da sociedade e não a interesses pessoais.
"Uma retórica que ele nunca perdeu, apesar do cansaço físico que suportava, incluindo as sequelas de um transplante duplo de rins ao qual foi submetido em 2008", destacou.
Por fim, Fratoianni agradeceu a Mussi pelos conselhos e pela amizade e enviou condolências à esposa dele, Luana, e às filhas, Valentina e Gaia.
"Devemos muito a você. Sentirei sua falta. Sentirei falta de suas ligações, da sua voz e da paz de espírito que eu sentia quando falava com você para pedir conselhos ou uma opinião em momentos difíceis", escreveu. .