Ex-interno de hospital psiquiátrico que conviveu com serial killers famosos relembra rotina: 'Entediado'

Paul Knight ficou por dez anos no hospital psiquiátrico de Broadmoor, na Inglaterra, o mesmo onde vivia o Estripador de Yorkshire

27 mar 2026 - 11h07
(atualizado às 11h43)
Ex-interno de hospital psiquiátrico que conviveu com serial killers famosos relembra rotina
Ex-interno de hospital psiquiátrico que conviveu com serial killers famosos relembra rotina
Foto: Reprodução/Instagram

Imagine dividir o dia a dia com alguns dos criminosos em série mais perigosos do país, sem ter para onde fugir. Paul Knight sabe bem como é. O britânico passou dez anos internado no hospital psiquiátrico Broadmoor, convivendo com nomes como o Estripador de Yorkshire e o canibal Peter Ryan. Mas, ao contrário do que se imagina, diz que a experiência esteve longe de ser assustadora: era entediante.

Em entrevista ao Daily Mail, Knight relembrou a década em que passou na instituição no condado de Berkshire. Na rotina, não existia espantamento ou surpresa com a presença de criminosos famosos da Inglaterra. Segundo o ex-dentento, era completamente 'normal' ser 'amigo' de assassinos.

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Desde Peter Sutcliffe, o Estripador de Yorkshire, até Peter Ryan, o canibal, e uma série de jihadistas da Al-Qaeda, Knight conviveu com diversos de homens perigosos. "Você não fica deslumbrado com nenhum dos rostos ali presentes. Quando eu estava sentado ao lado do Estripador de Yorkshire, eu não pensei: 'Nossa!'", contou. 

Como Knight foi parar no hospital psiquiátrico?

O próprio Knight chegou ao hospital psiquiátrico após cometer um crime, mesmo mais "leve" que o de seus colegas de detenção. O britânico foi levado a Broadmoor após agredir um médico enquanto estava na ala de saúde da prisão de Bristol.

"Cerca de 12 funcionários vieram correndo. Disseram: 'Muito bem, agora vamos te levar', e começaram a me dobrar, usando muita força", relembrou. 

Hospital psiquiátrico de Broadmoor
Foto: Reprodução

Em meio a situação, Knight foi avisado de que precisaria ser avaliado por duas enfermeiras do hospital psiquiátrico. "Quando ouvi essas palavras, pensei: 'Isso é para pessoas que são assassinos em série desequilibrados, não para mim'", detalhou. 

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Mesmo com a recusa do britânico, a transferência ocorreu pouco depois. "Eles vieram me buscar em um veículo blindado, me injetaram drogas até eu ficar completamente dopado e me levaram para a sala de admissão. Pensei que em cerca de duas semanas me organizaria e eles me liberariam após o período de avaliação de três meses", contou.

No entanto, a previsão de Knight estava errada. Em vez de meses, o detento passou dez anos no hospital psiquiátrico, convivendo com diversos assassinos em série e sendo frequentemente sedado, como revelou ao Daily Mail.  

Rotina com assassinos em série

O dia a dia de Knight não era empolgante como nos filmes e séries sobre criminosos famosos. Ele conta que acordava obrigatoriamente às 8h da manhã e era orientado a passar um tempo com outros pacientes na sala de convivência, tendo apenas uma hora para aproveitar ao ar livre.

Segundo o ex-detento, a rotina era um tédio. "Eu simplesmente fiquei anestesiado em relação a toda a situação. Fiquei insensível. Estava tão entediado que chegou a doer fisicamente", desabafou. 

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Ex-interno de hospital psiquiátrico que conviveu com serial killers famosos relembra rotina
Foto: Reprodução/Instagram

Na sala de convivência, Knight se misturava com assassinos em série, como Danny Gonzalez e o canibal Peter Bryan. Os nomes "famosos" até protagonizavam momentos curiosos.

"Pelo menos um dos homens iria ao tribunal toda semana, e essa seria a história deles nos noticiários da TV que todos nós assistiríamos. Então, quem quer que fosse, quando sua imagem aparecia na televisão, sentava-se sorrindo, apontava para a tela e dizia: 'Ali estou eu! Sou eu!'", relembrou. 

Assassino em série era frequentemente visitado por mulheres

Um dos colegas de Knight era Peter Sutcliffe, conhecido como o Estripador de Yorkshire por assassinar 13 mulheres entre 1975 e 1980. Para a surpresa do ex-detento, o assassino em série recebia diversas visitas femininas na instituição.

"O Peter sempre tinha um monte de mulheres glamorosas, como aquelas que você via na página 3 antigamente, visitando-o o tempo todo. Ele ficava sentado lá, com uma aparência desleixada, barba e roupas amassadas. Eu nunca entendi todas aquelas mulheres que vinham visitá-lo, considerando o que ele tinha feito", iniciou. 

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"Aí elas ficavam perguntando: 'Ah, Pete, me conta mais. O que você vai fazer no ano que vem?', e ele simplesmente ficava sentado lá, indiferente. Eu costumava pensar: 'Você precisa se controlar, ele não vai a lugar nenhum, o único lugar para onde ele vai é para a solitária", complementou. 

Hospital psiquiátrico de Broadmoor
Foto: Reprodução

Apesar de achar as visitas estranhas, Knight nunca ousou comentar com os colegas de Broadmoor. 

"Obviamente, eu não discutiria [com outros detentos] o que eles tinham feito, era um assunto tabu, você não discute os crimes de alguém com essa pessoa, mas você poderia conversar com outros lá dentro sobre isso", ponderou.

Após passar dez anos convivendo com criminosos de alta periculosidade, Knight deixou o hospital psiquiátrico em 2015 e se casou. Atualmente, o ex-dentento vive em Londres e se dedica a contar sua experiência nas redes sociais e até escreveu o livro Alta Segurança, Alto Risco: Memórias de um Ex-Paciente de Broadmoor.

Fonte: Portal Terra
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