Para proteger os alunos dos intensos bombardeios russos, a cidade ucraniana de Zaporíjia planeja transferir 25 escolas para estruturas subterrâneas. Desde fevereiro de 2025, os estudantes utilizam "escolas-bunker", onde ocorrem todas as aulas e atividades, permitindo o retorno ao ensino presencial com maior segurança. Em paralelo, a ONU manifestou preocupação com a doutrinação pró-Rússia e treinamentos militares impostos a crianças e adolescentes que vivem nas áreas ucranianas ocupadas por Moscou.
Nathanaël Vittrant e Sergey Dmitriev, enviados especiais da RFI a Zaporíjia, e AFP
Enquanto as sirenes soam pela cidade, o pátio da escola e a quadra de basquete estão vazios. No andar superior, não resta uma única vidraça. Todas as janelas foram substituídas por painéis de cortiça.
Desde fevereiro de 2025, para encontrar os alunos, é preciso descer até um gigantesco bunker. Banheiros, recreio, atividades esportivas, refeitório e aulas, tudo acontece agora vários metros abaixo da superfície.
O jovem ucraniano Yaroslav trocou de escola justamente para poder estudar nesse local, que considera mais seguro.
"Eu adoro esta escola. Aqui fazemos tudo no subsolo e, por isso, nos sentimos sempre seguros. Minha escola anterior também tinha um bunker, mas ele não era muito profundo e não havia espaço para praticar esportes, por exemplo. Era muito pequeno", conta.
Cidade quer construir 25 "escolas-bunker"
Antes da construção da escola subterrânea, os estudantes eram obrigados a acompanhar as aulas à distância.
"Era preciso interromper a aula a cada alerta aéreo e eles praticamente não tinham interação social", lamenta a psicóloga da escola, Tatyana Chepkova. "Hoje, eles voltam para a escola com mais entusiasmo."
Diante da intensificação dos ataques, Zaporíjia pretende transferir 25 escolas para estruturas subterrâneas a fim de protegê-las dos bombardeios russos. As crianças mais novas da Ucrânia jamais conheceram outra realidade além da guerra.
Somente na noite anterior, dois prédios residenciais, um centro comercial e um edifício universitário da cidade foram atingidos por ataques russos.
Outro perigo para crianças ucranianas
Uma comissão independente da ONU alertou nesta segunda-feira (21) sobre sua preocupação com as crianças ucranianas que vivem nas áreas ocupadas pela Rússia.
Segundo a comissão, aulas de caráter patriótico pró-Rússia passaram a ser obrigatórias a partir dos três anos de idade, enquanto treinamentos militares passam a ser exigidos dos adolescentes a partir dos 14 anos.