Ucrânia: quatro países da UE voltam a propor uso de bilhões de euros em ativos russos congelados na Europa

Polônia, Espanha, Holanda e Suécia publicaram uma carta conjunta nesta quinta-feira (27) como forma de pressionar para que os ativos russos congelados na União Europeia sejam usados ​​para reforçar o apoio financeiro à Ucrânia. Embora essa opção tenha sido considerada anteriormente, acabou sendo abandonada em dezembro do ano passado, quando os 27 Estados-membros do bloco finalmente concordaram com um empréstimo de € 90 bilhões para ajudar Kiev, garantido pelo orçamento da UE.

27 ago 2026 - 15h19
Resumo
Quatro países da União Europeia voltaram a propor o uso de cerca de € 210 bilhões em ativos russos congelados para financiar a Ucrânia e custear a reconstrução do país, aliviando os contribuintes europeus. A iniciativa ocorre em meio à intensificação de ataques russos com mísseis e drones em várias regiões ucranianas, como Kharkiv, Kherson, Odessa e a capital Kiev, que deixaram mortos, feridos e causaram severos danos a infraestruturas civis e comerciais em ações diurnas e noturnas.

Cerca de € 210 bilhões em ativos russos estão congelados na União Europeia desde a invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022. O uso desses fundos tem sido particularmente contestado pela Bélgica, onde 90% desses recursos estão depositados, administrados pela empresa Euroclear.

Bandeiras da União Europeia em frente à sede da Comissão Europeia em Bruxelas, na Bélgica.
Bandeiras da União Europeia em frente à sede da Comissão Europeia em Bruxelas, na Bélgica.
Foto: REUTERS - Yves Herman / RFI

"Estamos cientes de que esta é uma questão complexa e que devemos encontrar soluções que levem em conta os interesses legítimos", afirma a carta. Os quatro países argumentam, entretanto, que Moscou não está buscando negociações e que Kiev precisa de mais financiamento "a curto e longo prazo".

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Nessas circunstâncias, "acreditamos que é hora de revisitar a questão de como os ativos congelados da Rússia podem ser usados de forma mais eficaz em benefício da Ucrânia", afirmam os ministros das Relações Exteriores desses quatro países.

A carta é endereçada, entre outros, à Alta Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Kaja Kallas.

Ao usar esses ativos congelados, "a UE garante que a Rússia pague sem demora pela destruição que causou na Ucrânia, ao mesmo tempo que reduz o ônus sobre nossos contribuintes", afirmam os ministros.

Ataques russos diurnos

Também nesta quinta-feira, ataques de drones russos em plena luz do dia mataram uma pessoa em Kharkiv, no nordeste da Ucrânia, e feriram várias outras em diferentes pontos do país. Também houve danos a infraestruturas, informaram autoridades locais.

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Essas ações diurnas estão se tornando cada vez mais comuns, à medida que a Rússia e a Ucrânia intensificam suas ofensivas de longo alcance, visando instalações de energia, armazéns e bases portuárias.

"Em Kharkiv, um homem foi morto e várias pessoas ficaram feridas em decorrência de um ataque de drone inimigo a um shopping center", informou a promotoria da região, que fica próxima à fronteira com a Rússia. O governador regional, Oleg Synegubov, publicou fotos no Telegram mostrando o interior danificado de uma loja de departamentos, cujo teto e uma parede foram parcialmente destruídos.

Autoridades locais também relataram três feridos em Kherson, em um ataque a um ônibus municipal, e outros três em Odessa, cidades no sul do país.

Na capital Kiev, múltiplas explosões foram ouvidas pela manhã, aparentemente provenientes das defesas aéreas ucranianas, e sirenes de alerta aéreo soaram repetidamente ao longo do dia. Quatro pessoas ficaram feridas, segundo o prefeito Vitali Klitschko.

De acordo com a Força Aérea Ucraniana, a Rússia também lançou um ataque combinado de drones e mísseis contra várias regiões do país durante a madrugada de quarta para quinta-feira.

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Com AFP

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