Copenhague quer criar carteira de motorista de bicicleta para turistas

Turistas que quiserem alugar bicicletas elétricas poderão ter que aprender as leis de trânsito do país. A proposta surge diante das crescentes reclamações de moradores de Copenhague sobre visitantes que não conhecem as regras de circulação nas ciclovias.

27 ago 2026 - 07h34
Resumo
Para conter a insegurança nas ciclovias após recorde de visitantes, Copenhague estuda criar uma "carteira de motorista" para turistas que usam bicicletas elétricas compartilhadas. A proposta da prefeitura prevê instruções de trânsito obrigatórias antes do desbloqueio dos veículos, além da redução da frota e uso de capacetes. O plano, contudo, requer apoio parlamentar e gera debates entre o setor turístico sobre sua viabilidade e a necessidade de focar em campanhas de conscientização.

Fernanda Melo Larsen, correspondente da RFI em Copenhague

O Visit Copenhagen, também mantém informações sobre as regras para pedalar na cidade e oferece um quiz para que os visitantes testem seus conhecimentos antes de sair de bicicleta.
O Visit Copenhagen, também mantém informações sobre as regras para pedalar na cidade e oferece um quiz para que os visitantes testem seus conhecimentos antes de sair de bicicleta.
Foto: AFP - LISELOTTE SABROE / RFI

Copenhague quer criar uma espécie de "carteira de motorista" para turistas que alugam bicicletas elétricas compartilhadas. A proposta da prefeita Sisse Marie Welling prevê que os visitantes recebam uma introdução às principais regras de trânsito antes de poderem desbloquear uma bicicleta.

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A ideia surgiu depois de um verão marcado por reclamações sobre turistas que circulam de maneira insegura pelas ciclovias da capital dinamarquesa. Welling também defende a redução do número de bicicletas elétricas compartilhadas e o uso de capacete pelos visitantes.

Novas medidas

A proposta foi discutida em uma reunião entre representantes do setor turístico, empresas de aluguel de bicicletas, organizações de ciclistas e especialistas em segurança. Segundo Andreas Keil, secretário municipal de Emprego, Integração e Negócios de Copenhague, os participantes concordaram que é necessário agir para melhorar a segurança nas ciclovias.

"É preciso que seja seguro para os turistas e para os habitantes de Copenhague, e é isso que estamos tentando fazer, encontrando muitas ideias e propostas", afirmou.

Entre as medidas discutidas, estão a redução do número de bicicletas elétricas compartilhadas, melhorias na sinalização de trechos considerados perigosos, mais informações para turistas nos hotéis e a possibilidade de um pequeno quiz ou vídeo sobre as regras de trânsito antes que o usuário possa desbloquear uma bicicleta. Atualmente, cerca de 13 mil bicicletas elétricas compartilhadas circulam em Copenhague. Em 2024, eram 8 mil.

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A prefeitura, no entanto, não tem sozinha os instrumentos legais necessários para estabelecer limites. Por isso, os representantes municipais querem buscar o apoio de uma maioria no Parlamento dinamarquês.

Klaus Bondam, diretor de mobilidade, cultura e destinos da Wonderful Copenhagen, participou da reunião e afirmou que o primeiro passo é chegar a instrumentos legais. "A primeira e mais importante coisa a fazer, e houve ampla concordância sobre isso no grupo, é que, juntos, pressionemos o governo", disse Bondam a uma emissora de TV.

Turismo em alta

A discussão acontece em meio ao crescimento do turismo na capital dinamarquesa. Em 2025, Copenhague registrou mais de 12 milhões de pernoites turísticos, um recorde. O aumento do número de bicicletas compartilhadas também coincide com uma percepção crescente de insegurança entre os ciclistas locais.

Uma pesquisa realizada pelo instituto Epinion para o Conselho Dinamarquês de Segurança no Trânsito mostrou que cerca de oito em cada dez ciclistas de Copenhague consideram que turistas pedalando representam algum grau de problema para a segurança no trânsito. O levantamento ouviu 565 ciclistas.

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A preocupação não é apenas com quem está sobre a bicicleta. As bicicletas elétricas compartilhadas são frequentemente criticadas por ocuparem espaços de estacionamento e serem deixadas de maneira inadequada nas ruas.

Setor turístico questiona

A HORESTA, organização que representa hotéis, restaurantes e empresas do setor turístico na Dinamarca, apoia a redução do número de bicicletas elétricas compartilhadas e defende regras mais rígidas para as empresas responsáveis pelo aluguel.

A entidade, no entanto, ressalta que o problema não envolve apenas turistas, já que as bicicletas também são utilizadas por moradores, incluindo jovens. A Wonderful Copenhagen também questiona a viabilidade de uma "carteira" obrigatória. Para Klaus Bondam, seria difícil controlar quem realmente fez o treinamento e quem poderia desbloquear uma bicicleta.

Orientação ao ciclista

Antes mesmo da proposta da prefeita, o Conselho Dinamarquês de Segurança no Trânsito já vinha promovendo ações para ensinar aos visitantes como circular pelas ciclovias de Copenhague.

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Neste verão, a entidade lançou uma campanha em vários idiomas com orientações como permanecer à direita, sinalizar antes de virar ou parar e evitar os horários de maior movimento. As informações são divulgadas nas redes sociais e em locais frequentados por turistas que alugam bicicletas.

O Visit Copenhagen, mantém informações sobre as regras para pedalar na cidade e oferece um quiz para que os visitantes testem seus conhecimentos antes de sair de bicicleta. A Cruz Vermelha dinamarquesa oferece ainda treinamento gratuito para adultos que querem aprender ou melhorar suas habilidades de bicicleta. O treinamento começa em uma área fechada e segura e depois passa para o trânsito, onde os participantes aprendem as regras de circulação.

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