Para conter a insegurança nas ciclovias após recorde de visitantes, Copenhague estuda criar uma "carteira de motorista" para turistas que usam bicicletas elétricas compartilhadas. A proposta da prefeitura prevê instruções de trânsito obrigatórias antes do desbloqueio dos veículos, além da redução da frota e uso de capacetes. O plano, contudo, requer apoio parlamentar e gera debates entre o setor turístico sobre sua viabilidade e a necessidade de focar em campanhas de conscientização.
Fernanda Melo Larsen, correspondente da RFI em Copenhague
Copenhague quer criar uma espécie de "carteira de motorista" para turistas que alugam bicicletas elétricas compartilhadas. A proposta da prefeita Sisse Marie Welling prevê que os visitantes recebam uma introdução às principais regras de trânsito antes de poderem desbloquear uma bicicleta.
A ideia surgiu depois de um verão marcado por reclamações sobre turistas que circulam de maneira insegura pelas ciclovias da capital dinamarquesa. Welling também defende a redução do número de bicicletas elétricas compartilhadas e o uso de capacete pelos visitantes.
Novas medidas
A proposta foi discutida em uma reunião entre representantes do setor turístico, empresas de aluguel de bicicletas, organizações de ciclistas e especialistas em segurança. Segundo Andreas Keil, secretário municipal de Emprego, Integração e Negócios de Copenhague, os participantes concordaram que é necessário agir para melhorar a segurança nas ciclovias.
"É preciso que seja seguro para os turistas e para os habitantes de Copenhague, e é isso que estamos tentando fazer, encontrando muitas ideias e propostas", afirmou.
Entre as medidas discutidas, estão a redução do número de bicicletas elétricas compartilhadas, melhorias na sinalização de trechos considerados perigosos, mais informações para turistas nos hotéis e a possibilidade de um pequeno quiz ou vídeo sobre as regras de trânsito antes que o usuário possa desbloquear uma bicicleta. Atualmente, cerca de 13 mil bicicletas elétricas compartilhadas circulam em Copenhague. Em 2024, eram 8 mil.
A prefeitura, no entanto, não tem sozinha os instrumentos legais necessários para estabelecer limites. Por isso, os representantes municipais querem buscar o apoio de uma maioria no Parlamento dinamarquês.
Klaus Bondam, diretor de mobilidade, cultura e destinos da Wonderful Copenhagen, participou da reunião e afirmou que o primeiro passo é chegar a instrumentos legais. "A primeira e mais importante coisa a fazer, e houve ampla concordância sobre isso no grupo, é que, juntos, pressionemos o governo", disse Bondam a uma emissora de TV.
Turismo em alta
A discussão acontece em meio ao crescimento do turismo na capital dinamarquesa. Em 2025, Copenhague registrou mais de 12 milhões de pernoites turísticos, um recorde. O aumento do número de bicicletas compartilhadas também coincide com uma percepção crescente de insegurança entre os ciclistas locais.
Uma pesquisa realizada pelo instituto Epinion para o Conselho Dinamarquês de Segurança no Trânsito mostrou que cerca de oito em cada dez ciclistas de Copenhague consideram que turistas pedalando representam algum grau de problema para a segurança no trânsito. O levantamento ouviu 565 ciclistas.
A preocupação não é apenas com quem está sobre a bicicleta. As bicicletas elétricas compartilhadas são frequentemente criticadas por ocuparem espaços de estacionamento e serem deixadas de maneira inadequada nas ruas.
Setor turístico questiona
A HORESTA, organização que representa hotéis, restaurantes e empresas do setor turístico na Dinamarca, apoia a redução do número de bicicletas elétricas compartilhadas e defende regras mais rígidas para as empresas responsáveis pelo aluguel.
A entidade, no entanto, ressalta que o problema não envolve apenas turistas, já que as bicicletas também são utilizadas por moradores, incluindo jovens. A Wonderful Copenhagen também questiona a viabilidade de uma "carteira" obrigatória. Para Klaus Bondam, seria difícil controlar quem realmente fez o treinamento e quem poderia desbloquear uma bicicleta.
Orientação ao ciclista
Antes mesmo da proposta da prefeita, o Conselho Dinamarquês de Segurança no Trânsito já vinha promovendo ações para ensinar aos visitantes como circular pelas ciclovias de Copenhague.
Neste verão, a entidade lançou uma campanha em vários idiomas com orientações como permanecer à direita, sinalizar antes de virar ou parar e evitar os horários de maior movimento. As informações são divulgadas nas redes sociais e em locais frequentados por turistas que alugam bicicletas.
O Visit Copenhagen, mantém informações sobre as regras para pedalar na cidade e oferece um quiz para que os visitantes testem seus conhecimentos antes de sair de bicicleta. A Cruz Vermelha dinamarquesa oferece ainda treinamento gratuito para adultos que querem aprender ou melhorar suas habilidades de bicicleta. O treinamento começa em uma área fechada e segura e depois passa para o trânsito, onde os participantes aprendem as regras de circulação.