Assaltantes distraem a polícia e realizam roubo relâmpago de tesouro arqueológico em museu da Espanha

O Tesouro de Villena, uma coleção de peças de ourivesaria considerada uma das mais preciosas da Idade do Bronze na Europa, foi roubado quase integralmente nesta quinta-feira (27) de um museu em Alicante, no sudeste da Espanha, informaram as autoridades locais. Segundo o prefeito de Villena, Fulgencio Cerdán, os criminosos usaram uma manobra de distração para afastar as forças de segurança.

27 ago 2026 - 11h10
Resumo
Criminosos roubaram quase todo o Tesouro de Villena em uma ação relâmpago no museu municipal de Alicante, na Espanha, após distraírem a polícia com um alarme falso. Descoberto em 1963, o conjunto de valor inestimável data da Idade do Bronze (1000 a.C.) e reúne cerca de 10 quilos de ouro, prata e peças raras forjadas com ferro meteórico. Considerado um dos patrimônios arqueológicos mais importantes da Europa continental, a perda histórica gerou profunda comoção entre especialistas e autoridades.

Às 5h16 da manhã, um alarme disparou no centro esportivo municipal, na periferia da cidade, mobilizando a polícia para o local. Quatro minutos depois, às 5h20, os alarmes do Museu de Villena (MUVI) foram acionados. Quando os agentes chegaram ao museu, às 5h24, os invasores já haviam fugido com a coleção mais valiosa do museu, quase completa.

Os ladrões usaram um alarme falso para desviar a atenção da polícia antes de atacar o Museu de Villena (MUVI). Quando os agentes chegaram ao local, apenas quatro minutos após o disparo do alarme, os criminosos já haviam fugido. (Imagem ilustrativa)
Os ladrões usaram um alarme falso para desviar a atenção da polícia antes de atacar o Museu de Villena (MUVI). Quando os agentes chegaram ao local, apenas quatro minutos após o disparo do alarme, os criminosos já haviam fugido. (Imagem ilustrativa)
Foto: © / AFP / RFI

"Eles levaram grande parte do tesouro", afirmou o prefeito, explicando que apenas algumas poucas peças permaneceram no museu. "Estamos absolutamente devastados. Ainda estou tremendo. Para nós, que somos de Villena, isso é devastador. Faz parte do nosso patrimônio, da nossa riqueza", acrescentou Fulgencio Cerdán, com a voz embargada.

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O diretor do Museu Arqueológico Provincial de Alicante, Manuel Olcina, e o professor de Pré-História da Universidade de Alicante, Gabriel García Atiénzar, afirmaram estar em estado de choque com o desaparecimento de um conjunto que classificam como único, sem equivalente conhecido.

Tesouro de valor inestimável

García Atiénzar destacou que nenhuma peça se sobressai individualmente. O valor está justamente na excepcionalidade do conjunto, cuja qualidade supera a de outros achados contemporâneos na Europa continental, graças ao refinamento técnico empregado na fabricação dos braceletes, taças e recipientes de ouro e prata.

"São objetos de enorme valor e sem preço do ponto de vista histórico, artístico, patrimonial e identitário", afirmou Olcina, classificando o roubo como uma "perda terrível".

Exposto no pequeno museu municipal da cidade, localizado na província de Alicante, na região de Valência, o Tesouro de Villena é composto por cerca de 60 peças de ouro, prata, ferro e âmbar do fim da Idade do Bronze, aproximadamente 1000 a.C. O conjunto inclui 29 braceletes, 11 taças, três recipientes em forma de garrafa, além de três coroas de imagens da Virgem Maria e do Menino Jesus e diversos outros objetos.

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O Tesouro de Villena é considerado um dos conjuntos arqueológicos mais excepcionais da Idade do Bronze na Europa. Descoberto em 1963, reúne quase 10 quilos de ouro e se destaca tanto pela extraordinária qualidade de suas peças quanto pela presença de ferro proveniente de um meteorito.

Dois dos objetos da coleção, possivelmente remates de cetros ou partes de empunhaduras, foram fabricados com esse ferro de origem meteórica. Três estudos recentes, realizados por especialistas do Conselho Superior de Pesquisas Científicas da Espanha (CSIC) e por uma pesquisadora italiana, confirmaram essa característica, que transforma o Tesouro de Villena em uma das evidências mais antigas do uso do ferro na Europa Ocidental.

Conjunto de ouro mais importante da Idade do Bronze

A presença de ferro meteórico torna o tesouro ainda mais singular. García Atiénzar lembra que esse material de origem extraterrestre também foi identificado em peças históricas famosas, como uma das adagas associadas ao faraó egípcio Tutancâmon.

O especialista afirma ainda que o Tesouro de Villena pode ser comparado a alguns dos grandes conjuntos de ouro encontrados em Micenas, na Grécia, e no Egito dos faraós, por reunir técnicas de produção excepcionais para a época e sem paralelo conhecido na Europa Ocidental.

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"Para os especialistas, trata-se do mais importante conjunto de louças de ouro da Idade do Bronze, ao lado dos tesouros encontrados nas tumbas reais de Micenas, na Grécia", afirma o museu em seu site.

Segundo a prefeitura, todos os sistemas de segurança foram acionados normalmente e não houve qualquer falha nos equipamentos de proteção do museu. De acordo com Manuel Pineda, subdelegado do governo espanhol em Alicante, os ladrões utilizavam vários veículos e teriam entrado no museu por uma janela.

O Tesouro de Villena foi descoberto em 1963 pelo arqueólogo José María Soler, dentro de um recipiente escondido no leito de um barranco da região.

Com agências

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