Ucrânia e Rússia anunciam nova troca de corpos de combatentes mortos na guerra

Kiev anunciou na quinta-feira (9) que a Rússia devolveu mais 1.000 corpos à Ucrânia, apresentados como sendo de soldados ucranianos mortos em combate. A troca de combatentes mortos é uma das poucas áreas de cooperação entre os dois países desde o início da guerra.

9 abr 2026 - 13h53

"Hoje foram realizadas as medidas de repatriação, e os corpos de 1.000 indivíduos falecidos foram devolvidos à Ucrânia. De acordo com o lado russo, os corpos pertencem a militares ucranianos", afirmou o Centro Ucraniano para Prisioneiros de Guerra, em comunicado publicado no Telegram. "Assim que os restos mortais forem identificados, os corpos serão entregues às suas famílias para funerais apropriados", acrescentou a instituição.

Uma mulher reza ao lado do retrato de um parente durante uma visita a um memorial dedicado aos defensores ucranianos mortos em combate, em Kiev, Ucrânia, 24 de fevereiro de 2026.
Uma mulher reza ao lado do retrato de um parente durante uma visita a um memorial dedicado aos defensores ucranianos mortos em combate, em Kiev, Ucrânia, 24 de fevereiro de 2026.
Foto: REUTERS - Valentyn Ogirenko / RFI

Uma fonte da equipe de negociação russa informou a repórteres que Moscou recebeu, em troca, os corpos de 41 militares russos.

Publicidade

Um vídeo divulgado pela agência estatal Ruptly, subsidiária da emissora russa RT, mostra homens vestindo macacões brancos e luvas azuis transportando corpos em sacos mortuários da carroceria de um caminhão para outro. As imagens, publicadas no Telegram, também registram a presença de observadores usando coletes da Cruz Vermelha.

Em março, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) informou que vinha facilitando a troca de uma média de 1.000 corpos por mês entre Kiev e Moscou, principalmente de soldados.

A invasão da Ucrânia pela Rússia, iniciada em fevereiro de 2022, é considerada o conflito com o maior número de mortos e feridos na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, segundo estimativas.

Cooperação

A repatriação de combatentes mortos permanece como uma das raras frentes de cooperação entre Rússia e Ucrânia ao longo dos mais de quatro anos de conflito.

Publicidade

Também em março, a Rússia anunciou uma "pausa temporária" nas negociações que envolviam Washington, Moscou e Kiev para buscar uma solução diplomática para a guerra.

Segundo o Kremlin, a interrupção ocorreu devido à atenção internacional voltada para a escalada do conflito no Irã, que passou a dominar a agenda de segurança dos Estados Unidos e reduziu sua capacidade de mediação no confronto ucraniano.

A Ucrânia e a Rússia realizaram conversas na Turquia no ano passado e, mais recentemente, participaram de rodadas mediadas pelos Estados Unidos em Abu Dhabi e Genebra.

Em 2024, o presidente russo, Vladimir Putin, declarou que as condições de Moscou para encerrar a guerra incluem a renúncia formal de Kiev ao objetivo de ingressar na Otan e a retirada das forças ucranianas das quatro regiões reivindicadas pela Rússia. O governo ucraniano, por sua vez, questiona o compromisso russo com um eventual acordo e afirma que não aceitará abrir mão de territórios que Moscou não conseguiu conquistar.

Publicidade

Com AFP

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações