Suíça volta a interrogar gerentes do bar de Crans-Montana, onde 41 morreram em incêndio

O casal Jessica e Jacques Moretti será novamente interrogado pela Justiça suíça. O proprietário francês do bar incendiado na noite de Ano-Novo na estação de esqui de Crans-Montana deve ser ouvido nesta quarta-feira (11) pelos advogados das partes civis. Ele chegou à audiência acompanhado de sua esposa no tribunal de Sion. Jessica Moretti, também proprietária do bar Le Constellation, será ouvida na quinta-feira (12).

11 fev 2026 - 07h57
(atualizado às 08h12)

"Essas audiências têm como objetivo permitir que os advogados das partes civis façam as perguntas que não puderam fazer durante o interrogatório anterior", informou o Ministério Público do Valais. Desta vez, ambos serão interrogados por cerca de 30 advogados das vítimas, já que, na Suíça, todas as partes envolvidas no caso podem assistir aos interrogatórios e fazer perguntas aos acusados. 

Os proprietários do bar Le Constellation, Jacques Moretti e Jessica Moretti, serão novamente interrogados na quarta-feira, 11 de fevereiro, e na quinta-feira, 12 de fevereiro, pela Justiça suíça.
Os proprietários do bar Le Constellation, Jacques Moretti e Jessica Moretti, serão novamente interrogados na quarta-feira, 11 de fevereiro, e na quinta-feira, 12 de fevereiro, pela Justiça suíça.
Foto: AFP - FABRICE COFFRINI / RFI

Os advogados do casal, Yaël Hayat e Nicola Meier, se pronunciaram pela primeira vez desde a libertação de Jacques Moretti ao portal Franceinfo nesta quarta-feira. Segundo eles, "em nenhum momento Jacques ou Jessica Moretti tentaram se eximir de suas responsabilidades".

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Jacques Moretti havia sido colocado em detenção provisória em 9 de janeiro e libertado no dia 23, após o pagamento de uma fiança. Assim como sua esposa, está atualmente sob medidas cautelares. 

Mais de um mês após o incêndio no bar da estação de esqui, que deixou 41 mortos e 115 feridos, esta será a segunda vez que o casal será ouvido sobre o mérito do caso, após um primeiro interrogatório nos dias 20 e 21 de janeiro, que durou cerca de dez horas para cada um. 

Leila Micheloud, cujas duas filhas ficaram feridas no incêndio, fez questão de assistir à audiência desta quarta-feira. "É um caminho de cura. Esperamos respostas, a verdade. Que eles digam a verdade, não pedimos mais nada", declarou aos jornalistas diante do tribunal. "Quando você tem dois filhos que quase morreram, você não tem medo de mais nada", acrescentou. 

Novos investigados no caso 

A investigação contra o casal — por homicídio culposo, lesões corporais culposas e incêndio culposo — foi ampliada para incluir o atual chefe do serviço de segurança de Crans-Montana e seu antecessor, que deixou o cargo em 2024. 

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O incêndio, que atingiu principalmente adolescentes e jovens adultos, foi provocado, segundo a investigação, por faíscas de velas "tipo fonte", também conhecidas como velas vulcão, que incendiaram uma espuma acústica instalada no teto do subsolo do estabelecimento. 

A investigação deverá esclarecer as circunstâncias exatas do incêndio, o cumprimento das normas pelos proprietários e as responsabilidades envolvidas, já que a prefeitura de Crans-Montana reconheceu que não realizava inspeções de incêndio no bar desde 2019, embora elas devessem ocorrer todos os anos. 

Quem é o responsável pela tragédia 

Nesta nova audiência, o casal Moretti pretende, segundo seus advogados, responder às críticas e acusações feitas por ex-funcionários, especialmente em relação às regras de segurança. Segundo Yaël Hayat, as acusações são "um mal-entendido", que teria sido "um pouquinho alimentado pelas regras do processo e pelo silêncio imposto desde o início aos Moretti pelos investigadores". 

Esse silêncio foi "muito difícil" para o casal, mas também "para os funcionários", aponta a advogada, já que eles não tiveram a possibilidade de "se explicar e sofrer junto com eles". A advogada afirma: "Evidentemente, eles assumem a responsabilidade pelos eventos, já que tudo aconteceu no estabelecimento deles e porque eram os gerentes do local. Eles assumem essa responsabilidade, mas a investigação deverá determinar quem é o responsável por essa tragédia". 

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Na semana passada, o casal Moretti enviou uma carta aos empregados para tentar apaziguar a situação. Segundo a advogada, os dois administradores "nunca tentaram se esquivar ou transferir culpa, muito menos para seus funcionários". 

RFI com agências

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