"Essas audiências têm como objetivo permitir que os advogados das partes civis façam as perguntas que não puderam fazer durante o interrogatório anterior", informou o Ministério Público do Valais. Desta vez, ambos serão interrogados por cerca de 30 advogados das vítimas, já que, na Suíça, todas as partes envolvidas no caso podem assistir aos interrogatórios e fazer perguntas aos acusados.
Os advogados do casal, Yaël Hayat e Nicola Meier, se pronunciaram pela primeira vez desde a libertação de Jacques Moretti ao portal Franceinfo nesta quarta-feira. Segundo eles, "em nenhum momento Jacques ou Jessica Moretti tentaram se eximir de suas responsabilidades".
Jacques Moretti havia sido colocado em detenção provisória em 9 de janeiro e libertado no dia 23, após o pagamento de uma fiança. Assim como sua esposa, está atualmente sob medidas cautelares.
Mais de um mês após o incêndio no bar da estação de esqui, que deixou 41 mortos e 115 feridos, esta será a segunda vez que o casal será ouvido sobre o mérito do caso, após um primeiro interrogatório nos dias 20 e 21 de janeiro, que durou cerca de dez horas para cada um.
Leila Micheloud, cujas duas filhas ficaram feridas no incêndio, fez questão de assistir à audiência desta quarta-feira. "É um caminho de cura. Esperamos respostas, a verdade. Que eles digam a verdade, não pedimos mais nada", declarou aos jornalistas diante do tribunal. "Quando você tem dois filhos que quase morreram, você não tem medo de mais nada", acrescentou.
Novos investigados no caso
A investigação contra o casal — por homicídio culposo, lesões corporais culposas e incêndio culposo — foi ampliada para incluir o atual chefe do serviço de segurança de Crans-Montana e seu antecessor, que deixou o cargo em 2024.
O incêndio, que atingiu principalmente adolescentes e jovens adultos, foi provocado, segundo a investigação, por faíscas de velas "tipo fonte", também conhecidas como velas vulcão, que incendiaram uma espuma acústica instalada no teto do subsolo do estabelecimento.
A investigação deverá esclarecer as circunstâncias exatas do incêndio, o cumprimento das normas pelos proprietários e as responsabilidades envolvidas, já que a prefeitura de Crans-Montana reconheceu que não realizava inspeções de incêndio no bar desde 2019, embora elas devessem ocorrer todos os anos.
Quem é o responsável pela tragédia
Nesta nova audiência, o casal Moretti pretende, segundo seus advogados, responder às críticas e acusações feitas por ex-funcionários, especialmente em relação às regras de segurança. Segundo Yaël Hayat, as acusações são "um mal-entendido", que teria sido "um pouquinho alimentado pelas regras do processo e pelo silêncio imposto desde o início aos Moretti pelos investigadores".
Esse silêncio foi "muito difícil" para o casal, mas também "para os funcionários", aponta a advogada, já que eles não tiveram a possibilidade de "se explicar e sofrer junto com eles". A advogada afirma: "Evidentemente, eles assumem a responsabilidade pelos eventos, já que tudo aconteceu no estabelecimento deles e porque eram os gerentes do local. Eles assumem essa responsabilidade, mas a investigação deverá determinar quem é o responsável por essa tragédia".
Na semana passada, o casal Moretti enviou uma carta aos empregados para tentar apaziguar a situação. Segundo a advogada, os dois administradores "nunca tentaram se esquivar ou transferir culpa, muito menos para seus funcionários".
RFI com agências