Romance 'Puro', de Nara Vidal, será adaptado para o cinema

O último romance da escritora Nara Vidal, intitulado "Puro", será adaptado para o cinema. A autora foi uma das convidadas da 34ª edição do Festival de Cinema Latino-Americano de Biarritz, que terminou na sexta-feira (26) e, neste ano, homenageou o autor peruano Mario Vargas Llosa. O evento mistura cinema e literatura para explorar diferentes histórias vividas em países da América Latina.

28 set 2025 - 09h37

O último romance da escritora Nara Vidal, intitulado "Puro", será adaptado para o cinema. A autora foi uma das convidadas da 34ª edição do Festival de Cinema Latino-Americano de Biarritz, que terminou na sexta-feira (26) e, neste ano, homenageou o autor peruano Mario Vargas Llosa. O evento mistura cinema e literatura para explorar diferentes histórias vividas em países da América Latina.

A escritora Nara Vidal no Festival de Cinema Latino-Americano de Biarritz. Em 23 de setembro de 2025.
A escritora Nara Vidal no Festival de Cinema Latino-Americano de Biarritz. Em 23 de setembro de 2025.
Foto: © RFI Maria Paula Carvalho / RFI

Maria Paula Carvalho, enviada especial da RFI a Biarritz

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Romancista, contista, ensaísta, editora e tradutora, Nara Vidal vive atualmente na Inglaterra. A mineira foi a Biarritz, no litoral sudoeste da França, para falar de seu livro, que recebeu o Prêmio APCA 2024 de melhor romance brasileiro - um prestigioso reconhecimento concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte.

"'Puro' é um livro que trata sobre um projeto eugenista no Brasil de embranquecimento da população brasileira", ela explica. "Um projeto que foi consolidado e proposto por Getúlio Vargas na década de 1930", assinala.

O romance nasceu de uma lacuna que a autora encontrou na educação brasileira. "Eu cresci durante a ditadura e, quando já adulta, me deparei com esse artigo da Constituição Brasileira, da década de 30", lembra. O artigo em questão, citado na primeira página do romance, é o 138 da Constituição de 1934, que delibera "estimular a educação eugênica".

A autora parte desse ponto histórico para construir uma ficção. "Não é um relato do que aconteceu. É um livro de literatura, mas ele parte desse propósito, desse momento histórico no Brasil", diz.

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Para Nara Vidal, a obra nunca esteve tão atual. "Com o crescente avanço das propostas fascistas de extrema direita, esse é um livro muito atual, coerente com o que tem acontecido", disse em entrevista à RFI em Biarritz. "Não é uma literatura de panfleto nem muito engajada. É apenas uma proposta para que a gente pense a política através das artes. Acho que essa é a proposta da literatura, no final das contas", afirma.

Adaptação para o cinema

O romance será adaptado para as telonas pelo diretor Jeferson De e pela produtora Buda Filmes. "Os direitos foram vendidos para o cinema e é muito interessante pensar que, de repente, um dia eu voltarei aqui para falar do livro, mas em outro formato, no formato do cinema", comemora.

Esta é a primeira vez que uma obra da escritora vai virar filme. "É algo bem especial. A gente escreve sem esse propósito. A gente escreve uma história que quer contar e não pensa como vai ser a leitura, como as pessoas vão reagir à sua proposta", diz. "Então, é sempre uma surpresa e um prazer incrível quando há esse interesse", afirma.

Nara Vidal é formada em Letras pela UFRJ e mestre em Artes e Patrimônio Cultural pela London Met University. Já conhecida por seu romance "Sorte" - finalista do Prêmio Jabuti em 2019 -, ela vem se firmando como uma das vozes mais potentes da literatura brasileira atual.

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Sua obra explora, com delicadeza e profundidade, os mecanismos de dominação, os silêncios históricos e as contradições da identidade nacional.

"O Saramago dizia que a gente precisa sair da ilha para ver a ilha. Então, eu acho que a gente pode ver melhor as coisas quando está de fora", acrescenta a autora Nara Vidal.

"Eu acho que é interessante a gente se aprofundar e se envolver com essas questões, mas com um olhar também mais crítico, menos inflamado", conclui.

"Puro" já tem tradução para o francês, feita por Mathieu Dosse, e uma edição em inglês publicada nos Estados Unidos e na Inglaterra. O livro também foi lançado em Portugal e no Brasil originalmente.

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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