Responsáveis por boatos de que Brigitte Macron seria mulher trans são condenados na França

Os agressores virtuais da primeira-dama da França, Brigitte Macron, acusados de espalhar ou retransmitir insultos e rumores relacionados ao seu gênero e à diferença de idade com o presidente francês, foram condenados nesta segunda-feira (5), em Paris, a penas de prisão de até seis meses. A maioria, no entanto, recebeu sentenças suspensas.

5 jan 2026 - 13h06

Oito dos dez réus foram condenados a penas de prisão suspensas, de quatro a oito meses, por terem "publicado ou retransmitido", em "termos maliciosos, degradantes e insultuosos", comentários sobre o gênero da primeira-dama e uma "suposta pedofilia", explicou o juiz presidente Thierry Donard durante a leitura do veredicto.

Brigitte Macron, esposa do presidente francês Emmanuel Macron, no Palácio do Eliseu, em Paris, França, em 8 de dezembro de 2025.
Brigitte Macron, esposa do presidente francês Emmanuel Macron, no Palácio do Eliseu, em Paris, França, em 8 de dezembro de 2025.
Foto: REUTERS - Gonzalo Fuentes / RFI

Uma sentença de seis meses de prisão foi proferida contra um dos réus, ausente do julgamento realizado nos dias 27 e 28 de outubro.

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O último réu não recebeu pena de prisão, sendo condenado apenas à obrigação de participar de um curso de conscientização e ao pagamento de multa. Todos os dez réus também foram condenados a essa última sanção.

Os autores de ciberbullying considerados mais influentes nas redes sociais, descritos como "instigadores" pelo promotor durante o julgamento, receberam as penas suspensas mais severas: oito meses para o escritor Aurélien Poirson-Atlan, conhecido como Zoé Sagan, e seis meses para a médium Amandine Roy e o galerista Bertrand Scholler. Eles também estão proibidos de utilizar suas contas em redes sociais por seis meses.

Cursos de prevenção

"O importante são os cursos de prevenção e a suspensão das contas" de alguns dos autores, afirmou Jean Ennochi, advogado de Brigitte Macron, após o veredicto. Todos deverão participar, às próprias custas, de um curso de conscientização sobre "respeito ao próximo no espaço digital" e pagar uma multa conjunta de € 10 mil (cerca de R$ 63 mil).

Dos dez réus, com idades entre 41 e 65 anos e provenientes de diferentes regiões da França, apenas dois estavam presentes para ouvir o veredicto.

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Brigitte Macron também não compareceu à audiência. Ao apresentar a queixa, no fim de agosto de 2024, ela explicou aos investigadores que o boato que a retratava como uma mulher transgênero teve "um impacto muito forte" em sua família e amigos, relatando que seus netos ouviram que "a avó deles é um homem".

O relacionamento entre Emmanuel Macron, de 48 anos, e sua esposa Brigitte, de 72, que ele conheceu quando ela lecionava teatro em sua escola, tem sido alvo de uma disseminação massiva de informações falsas, que o casal decidiu contestar judicialmente na França e nos Estados Unidos.

"Eu luto o tempo todo. Quero ajudar os adolescentes a lutarem contra o bullying. Mas, se eu não der o exemplo, será difícil", declarou a esposa do presidente em entrevista à televisão, na noite de domingo. "Minha genealogia não deve ser tocada", afirmou. "Não se brinca com isso."

Durante o julgamento, diante de um tribunal lotado, sua filha, Tiphaine Auzière, confirmou o impacto do boato — que ganhou dimensão global — sobre a saúde da mãe, que se sentia "constantemente apreensiva" diante do questionamento contínuo de sua "identidade".

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A maioria dos réus afirmou ter sido surpreendida por ter de justificar postagens que consideravam "satíricas", invocando a liberdade de expressão ou o direito de informar diante de uma suposta verdade "oculta".

"Tornando-se Brigitte"

Em suas contas em redes sociais, agora suspensas, Zoé Sagan, de 41 anos, descreveu a diferença de idade de 24 anos entre Brigitte e Emmanuel Macron como um "crime sexual" e "pedofilia sancionada pelo Estado".

Amandine Roy, de 51 anos, foi responsável por um vídeo viral de quatro horas, publicado em 2021 e posteriormente removido, que alegava que Brigitte Macron nunca existiu e que seu irmão, Jean-Michel, teria assumido sua identidade após se submeter a uma cirurgia de redesignação sexual.

Condenada por difamação em setembro de 2024, em um processo separado, ela foi absolvida em apelação em 10 de julho. Brigitte Macron, que recorreu ao Tribunal de Cassação juntamente com o irmão, afirmou que esse vídeo contribuiu de forma significativa para amplificar o boato.

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Também ausente deste julgamento por assédio cibernético, o jornalista Xavier Poussard — cujo processo foi separado por residir em Milão, na Itália — é apontado como outro grande instigador da campanha de desinformação. Autor do best-seller Becoming Brigitte (Tornando-se Brigitte, em tradução livre), ele se uniu à influenciadora americana Candace Owens, contra quem o casal presidencial moveu uma ação judicial nos Estados Unidos.

A podcaster de 36 anos, conhecida por difundir teorias da conspiração, publicou uma série de vídeos baseados no livro de Poussard, cuja viralização ampliou o boato transfóbico em escala global. Vários dos réus julgados em Paris compartilharam essas publicações, incluindo uma capa de revista falsa, adulterada a partir da revista Time, que retratava Brigitte Macron como "Homem do Ano".

Com AFP

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