A astronauta francesa Sophie Adenot retornou à Terra e fez sua primeira aparição pública após passar 235 dias na Estação Espacial Internacional, batendo o recorde europeu de permanência no espaço. Primeira francesa a fazer uma caminhada espacial, ela desembarcou na Alemanha debilitada fisicamente e relatou os impactos da gravidade zero no corpo, além de destacar a fragilidade do planeta diante das mudanças climáticas. Adenot inicia agora uma longa recuperação física após a histórica missão.
Visivelmente debilitada após a viagem de retorno, a astronauta foi amparada por dois médicos da Agência Espacial Europeia (ESA) ao desembarcar de seu avião no Centro Europeu de Astronautas, em Colônia, na Alemanha. Uma cadeira de rodas havia sido preparada, mas ela preferiu percorrer a pé os últimos metros até a tribuna, sob os aplausos de dezenas de colegas e familiares que agitavam bandeiras francesas.
Na quinta-feira (8), Sophie Adenot amerissou no Oceano Pacífico, ao largo da costa da Califórnia, após uma viagem de volta de 27 horas a bordo de uma cápsula espacial Dragon.
Após 235 dias em órbita, ela estabeleceu um novo recorde de permanência no espaço para um astronauta europeu, considerando homens e mulheres.
Durante sua missão, Sophie Adenot também se tornou a primeira francesa a realizar uma caminhada espacial e participou, em setembro, de uma saída extraveicular composta apenas por mulheres, ao lado da astronauta americana Jessica Meir.
"Coquetel de emoções"
"É um coquetel de emoções surpreendentes", declarou, mencionando tanto a alegria do retorno quanto as dificuldades físicas ligadas à readaptação à gravidade terrestre. A francesa, que comemorou seus 44 anos na ISS em julho de 2026, relatou durante a missão ter sentido seu corpo envelhecer de forma acelerada: cabelos brancos, perda de flexibilidade, piora na visão, entre outros efeitos.
Mas o momento mais difícil de sua viagem foi, segundo ela, a espera dentro da cápsula após a amerissagem, quando foi sacudida por cerca de vinte minutos em um mar agitado. "Quando as equipes de resgate me tiraram da cápsula, a primeira coisa que disse a elas foi: 'me mandem para o espaço, por favor!' Era muito mais fácil lá em cima", afirmou, sorrindo.
A astronauta, nascida em 5 de julho de 1982 em Cosne-Cours-sur-Loire, na Borgonha, no centro-leste da França, teve dificuldade para conter a emoção em vários momentos de sua fala. Às vezes é uma "euforia intensa", "isso mexe profundamente com você", explicou, afirmando não conhecer nenhum astronauta que não tenha "vivenciado essas emoções intensas".
Uma experiência "extremamente transformadora"
Ela descreveu sua estadia em órbita como uma experiência "extremamente transformadora" e avaliou que, para ela, agora existe "um antes e um depois". Da Estação Espacial Internacional, a cerca de 400 quilômetros da Terra, disse ter tomado consciência da fragilidade do planeta.
"Não há divisões, não há fronteiras", ressaltou. "Vemos apenas um planeta precioso que todos nós compartilhamos."
Ela também mencionou a angústia sentida quando algum acontecimento afetava sua família enquanto estava a centenas de quilômetros da Terra.
Residente na região da Bacia de Arcachon nos últimos anos, ela ficou particularmente marcada pelos incêndios que atingiram a área durante sua missão.
Observar do espaço "os efeitos das mudanças climáticas", como o esvaziamento de certos lagos ou o recuo do Mar de Aral, reforçou sua convicção de que o planeta precisa ser protegido, explicou.
Recuperação
Adenot terá agora de passar por uma longa fase de recuperação. Após vários meses em gravidade zero, os astronautas precisam lidar com a perda de massa muscular e óssea, além de alterações no sistema cardiovascular. Ela revelou que, hoje, tem "a sensação de estar reaprendendo a viver, como um bebê que aprende a andar".
Presente para recebê-la, a ministra delegada das Forças Armadas, Alice Rufo, saudou uma "embaixadora da França no espaço" que também personifica, segundo ela, "uma certa ideia de cooperação internacional".
As estadias prolongadas de astronautas, como a realizada por Sophie Adenot, permitem não apenas a realização de centenas de experimentos científicos, mas também o estudo dos efeitos da ausência de gravidade no organismo humano, um aspecto crucial para futuras viagens à Lua ou a Marte.
No entanto, o programa da ISS está chegando ao fim. Considerado excessivamente custoso, o projeto deverá permanecer em operação até 2030, segundo os planos dos parceiros internacionais, antes de sua desorbitagem controlada sobre o Oceano Pacífico.