Sanchez e oposição de direita iniciam campanha para eleições legislativas na Espanha

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, e o principal líder da direita, Alberto Núñez Feijóo, iniciaram a campanha neste sábado (10) para as eleições legislativas marcadas para 29 de novembro. O líder socialista prometeu reforçar a legislação sobre habitação, em um momento em que a crise de moradias gera forte mobilização em toda a Espanha. Já o conservador focou o discurso na segurança e imigração.

10 out 2026 - 10h13
Resumo
Pedro Sánchez e a oposição de direita abriram a campanha para as eleições legislativas antecipadas na Espanha, convocadas após o Parlamento rejeitar medidas sobre a crise habitacional — agravada pela morte de uma idosa despejada. Enquanto Sánchez foca na habitação e na pauta progressista, Alberto Núñez Feijóo (PP) aposta em segurança e endurece o discurso contra a imigração. Pesquisas colocam a direita à frente, sem maioria absoluta, deixando o Vox como potencial fiel da balança.

Em seu primeiro comício de campanha, Pedro Sánchez dedicou grande parte de seu discurso à questão, três dias após a morte da idosa Maricarmen Abascal - a aposentada de 87 anos cujo despejo de sua casa em Madri desencadeou, no final de setembro, uma onda de indignação e manifestações de massa, que provocaram a crise política no país.

"O próximo Parlamento, com uma ampla maioria progressista (...), reforçará e manterá esses decretos-lei sobre habitação, que protegem pequenos proprietários e inquilinos diante da especulação" imobiliária, declarou o líder socialista, na Andaluzia.

Publicidade

A rejeição pelo Parlamento, na semana passada, de dois textos sobre habitação, apresentados por seu governo em resposta a essa crise, levou o primeiro-ministro a convocar eleições legislativas antecipadas, cujo resultado é incerto. O chefe de governo, no poder desde 2018 e sem maioria no Legislativo, espera que as medidas sejam aprovadas em breve, com algumas modificações, por meio de um trâmite especial na Câmara dos Deputados, que foi dissolvida.

'Maricarmen abriu o caminho'

"Maricarmen e todos aqueles que se mobilizam com ela, assim como todos os que lutam pela causa justa da habitação, abriram o caminho", afirmou Sánchez, expressando "todo (o seu) carinho" pela aposentada que se tornou o rosto da crise habitacional e faleceu na quarta-feira, no hospital. Em várias cidades do país, especialmente no centro de Madri, acampamentos continuam ocupados por militantes e manifestantes que exigem maior proteção aos inquilinos.

Para este início de campanha, Pedro Sánchez retornou simbolicamente a Dos Hermanas, na região metropolitana de Sevilha, onde havia lançado sua campanha para as eleições de 2023. O pleito foi marcado por uma virada surpreendente que lhe permitiu continuar no poder, apesar das previsões desfavoráveis.

Manifestações por reformas das políticas de habitação continuam a mobilizar pessoas em cidades como Barcelona. (09/10/2026)
Manifestações por reformas das políticas de habitação continuam a mobilizar pessoas em cidades como Barcelona. (09/10/2026)
Foto: RFI

Entre as 5.000 pessoas presentes para ouvi-lo, as opiniões sobre sua gestão estão divididas, principalmente devido à disparada do custo de vida e à série de escândalos judiciais envolvendo seu círculo próximo, a começar por sua esposa, Begoña Gómez, e o Partido Socialista (PSOE), que ele lidera.

Publicidade

"Esta legislatura foi muito complicada", reconhece Alicia Moya, de 54 anos, em entrevista à AFP. "Embora a economia da Espanha vá muito bem, ainda existem muitas desigualdades."

Por outro lado, Isabel Morales, uma aposentada de 67 anos, prefere destacar os "aspectos extremamente positivos" da gestão do líder socialista, que "aumentou salários e aposentadorias".

Críticas do rival conservador

O principal rival de Sánchez e líder do principal partido de oposição, o Partido Popular (PP, de direita), Alberto Núñez Feijóo, de 65 anos, reuniu cerca de 2.000 pessoas em Madri e prometeu "ordem, segurança e prosperidade", em um projeto de "reconstrução nacional".

"A Espanha precisa de um futuro, e ele [Sánchez] deve ficar no passado", disparou. Núñez Feijóo prometeu promover uma "mudança total" caso chegue ao poder.

Publicidade
Alberto Núñez Feijóo, líder do Partido Popular, foca discurso nos temas de imigração e segurança. (07/10/2026)
Foto: RFI

Ao lado dos dois últimos chefes de governo do PP, Mariano Rajoy e José María Aznar, o líder conservador comprometeu-se a "defender a Espanha" - em uma referência à crise migratória que abalou o enclave de Ceuta, no norte da África, e cuja responsabilidade ele atribui à gestão considerada leniente de Pedro Sánchez.

Feijóo endurece o discurso sobre imigração e segurança

Nos dias 30 e 31 de julho, mais de 70 mil migrantes entraram no território espanhol no norte da África. A grande maioria retornou ao Marrocos, em um episódio que gerou fortes tensões entre o governo de esquerda e a oposição de direita em Madri.

Para influenciar o debate, os principais sindicatos espanhóis (CCOO e UGT) convocaram uma greve geral para 11 de novembro, a primeira do gênero desde 2012.

Para esta eleição, na qual cerca de 39 milhões de espanhóis estão aptos a votar, as pesquisas apontam, neste momento, o Partido Popular à frente dos socialistas, porém sem maioria absoluta, o que torna o partido de extrema direita Vox um possível fiel da balança no Parlamento.

Publicidade

Com AFP

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações