MP suíço inclui prefeito e funcionários públicos em inquérito sobre incêndio em bar de Crans-Montana

O Ministério Público do Cantão do Valais, na Suíça, decidiu processar o prefeito e outros funcionários do município de Crans-Montana no curso do inquérito sobre o incêndio em um bar na véspera de Ano-Novo, que resultou em 41 mortes e deixou 115 feridos. A investigação agora tem como alvo nove pessoas, incluindo os proprietários franceses do estabelecimento.

9 mar 2026 - 11h12

Segundo o jornal Tribune de Genève, o Ministério Público do Cantão de Valais determinou esta semana a ampliação do inquérito criminal sobre a tragédia do bar Constellation para incluir Nicolas Féraud, prefeito de Crans-Montana.

Incêndio aconteceu na madrugada do dia 1° de janeiro, durante festa de Ano-Novo no bar Constellation, em Crans-Montana, deixando 41 mortos e 115 feridos.
Incêndio aconteceu na madrugada do dia 1° de janeiro, durante festa de Ano-Novo no bar Constellation, em Crans-Montana, deixando 41 mortos e 115 feridos.
Foto: REUTERS - Denis Balibouse / RFI

Outras quatro pessoas também foram indiciadas, entre elas um ex-vereador responsável pela segurança municipal, um ex-chefe do Corpo de Bombeiros e seu adjunto, e um membro da atual equipe de segurança pública.

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A investigação por "incêndio criminoso por negligência, homicídio culposo por negligência e lesão corporal grave por negligência" também envolve Jacques e Jessica Moretti, os proprietários franceses do bar, bem como o atual chefe de segurança de Crans-Montana e seu antecessor. Todos serão interrogados pelo Ministério Público entre 7 e 15 de abril, segundo uma fonte próxima ao caso.

"Estamos obviamente satisfeitos com a expansão do processo" disse o advogado Sébastien Fanti, que representa quatro famílias de feridos, acrescentando que "outras pessoas" serão chamadas a depor, "com base em novos elementos".

Romain Jordan, o advogado que representa outras famílias, acredita que "estas decisões permitirão que o processo avance e agilize as respostas de que tanto precisam". "É importante que todos os potencialmente responsáveis sejam levados ao banco dos réus", acrescentou.

As circunstâncias do incêndio

O incêndio aconteceu na madrugada do dia 1° de janeiro, durante uma festa de Ano-Novo no bar Constellation. Com capacidade para 300 pessoas no interior e outras 40 na varanda, o estabelecimento ficava na luxuosa estação de esqui de Crans-Montana, no sul da Suíça.

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Entre os 41 mortos e 115 feridos, havia principalmente adolescentes e jovens adultos. Algumas vítimas com queimaduras graves permanecem em coma. No final de fevereiro, 58 feridos ainda estavam hospitalizados na Suíça e em outros países.

O município de Crans-Montana reconheceu a falta de inspeções de segurança contra incêndio no bar desde 2019. Como essas inspeções deveriam ser realizadas anualmente, os advogados das famílias das vítimas exigiram que as autoridades políticas também fossem incluídas na investigação em curso.

De acordo com as conclusões iniciais, a tragédia foi causada por "velas acesas" que entraram em contato com espuma acústica instalada no teto do subsolo do estabelecimento.

Os peritos ainda tentam esclarecer dúvidas quanto à presença e acessibilidade de extintores de incêndio e à adequação das rotas de fuga do bar.

Com AFP

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