Após se reunir com líderes partidários, Emmanuel Macron anunciou um plano para proteger infraestruturas críticas francesas contra ciberataques e drones russos, reafirmando o apoio inabalável à Ucrânia. No encontro, o presidente também debateu a alta dos combustíveis gerada pela crise no Oriente Médio, prometendo avaliar auxílios econômicos. A oposição, contudo, criticou a resposta governamental para o poder de compra da população, considerando as medidas insuficientes frente à inflação energética.
O chefe de Estado francês disse ter solicitado ao governo a elaboração de um "plano de proteção de nossas infraestruturas críticas", após receber no Palácio do Eliseu líderes partidários e candidatos à eleição presidencial de 2027. O plano de proteção contra "ataques de drones" e "ciberataques" também abrangerá os "locais mais sensíveis de nossa base industrial e tecnológica de defesa", especificou o chefe de Estado.
Macron citou entre os exemplos recentes o ataque de drones contra um trem de passageiros na Ucrânia, uma tentativa frustrada de atentado no aeroporto alemão de Leipzig, o disparo de foguetes sinalizadores nas proximidades de uma fragata dinamarquesa e incursões no espaço aéreo de vários países europeus.
"Ninguém está a salvo", declarou o presidente francês. "Todos devemos permanecer vigilantes, agir e ter consciência de que esse tipo de manobra e de ataque pode ocorrer em nossas cidades, capitais e infraestruturas mais sensíveis."
"Seria um erro da Rússia continuar agindo dessa maneira contra os europeus", alertou. De acordo com ele, o objetivo do Kremlin é intimidar e enfraquecer o esforço de apoio a Kiev."O resultado será o contrário. Não estamos intimidados, porque sabemos que nossa segurança está em jogo na Ucrânia", acrescentou.
No início da semana, um avião da Força Aérea Italiana integrado à missão de policiamento aéreo da Otan abateu sobre a Lituânia um drone "muito provavelmente" procedente da Rússia, segundo o ministro da Defesa da Itália. Na segunda-feira, uma fragata russa disparou dois foguetes sinalizadores em direção a um helicóptero militar dinamarquês em águas internacionais próximas à costa da Dinamarca, informou o Exército do país nórdico, membro da Otan. Os projéteis passaram por pouco da aeronave.
Alta dos combustíveis
Durante a reunião com alguns dos candidatos à eleição presidencial francesa de 2027 e líderes dos principais partidos no Parlamento, Macron também falou sobre a crise dos preços dos combustíveis provocada pelo conflito no Oriente Médio. Os candidatos lamentaram a ausência de medidas mais abrangentes para proteger o poder aquisitivo da população.
Diante do aumento da insatisfação social e das críticas da oposição, Macron afirmou que o aumento do custo da energia é "inteiramente causado pelas guerras e pela situação internacional" que a França "está sofrendo".
"As mobilizações sociais são sempre legítimas. Mas, quando protestam contra consequências de fenômenos que não resultam da ação do governo, expressam um sofrimento, porém produzem menos soluções", afirmou o chefe de Estado no Palácio do Eliseu, conclamando os franceses a "permanecer unidos".
O presidente pediu ao governo que "avalie" e, se necessário, "adapte" os auxílios direcionados para compensar parcialmente a disparada dos preços dos combustíveis. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu realizará reuniões na segunda-feira (21) que poderão resultar em novas medidas.
Macron, porém, lembrou que a deterioração das finanças públicas limita a capacidade de ação do governo e defendeu sua atuação internacional para "tratar as causas" da alta dos preços, por meio da garantia do abastecimento energético, da busca por novas rotas para o petróleo do Oriente Médio e da convocação de uma reunião do G7 sobre energia. Segundo ele, a alternativa de "gastar o máximo possível" levaria inevitavelmente a "mais déficit ou mais impostos".
Respostas insuficientes
A reunião, realizada a portas fechadas na nova sala de crise Vega da Presidência, permitiu compartilhar com os candidatos ao Palácio do Eliseu e seus representantes informações confidenciais dos serviços de inteligência franceses. Após 2h45 de discussões, vários opositores consideraram insuficientes as respostas para a questão dos combustíveis.
Candidato da ala social-democrata, Raphaël Glucksmann defendeu "ajudas muito mais substanciais" diante de uma situação que classificou como "insustentável" e "socialmente explosiva". Jordan Bardella, presidente do Reunião Nacional (RN), que representava Marine Le Pen, afirmou que "a questão do poder de compra foi infelizmente deixada de lado pelo governo". Segundo ele, "o presidente não apresentou nenhuma resposta", declarou.
Marine Le Pen, por sua vez, advertiu que, sem redução dos impostos sobre os combustíveis, existe "risco de paralisação da economia". Todos os participantes relataram que os serviços do Estado francês esperam que essas crises se prolonguem por bastante tempo.
Macron garantiu ainda que a intensificação das ameaças russas não comprometerá "o esforço de apoio à Ucrânia", embora alguns candidatos, entre eles Marine Le Pen, favorita nas pesquisas, considerem que os recursos para ajudar Kiev estão se tornando insuficientes. Édouard Philippe, candidato do partido Horizons, de centro-direita, afirmou que o presidente foi "muito claro sobre a necessidade de continuar enviando sinais à Rússia", sem "entrar em estado de beligerância" com Moscou.
A candidata ecologista Marine Tondelier, por sua vez, disse haver "motivos para grande preocupação" diante das operações de desestabilização conduzidas pela Rússia. Também participaram do encontro Gabriel Attal (Renascimento, centro), Bruno Retailleau (Os Republicanos, de direita) e Olivier Faure (Partido Socialista). Manuel Bompard representou o partido de esquerda radical França Insubmissa no lugar de Jean-Luc Mélenchon.
Com AFP