A polícia da Itália desmantelou uma rede internacional de abuso sexual infantil no Telegram e prendeu 17 pessoas. A operação avançou após a infiltração de um agente no grupo "New Saga", que cobrava criptomoedas pelo acesso a materiais ilegais. Comandada por italianos e um suíço, a organização multinacional reunia membros de 98 países. Foram apreendidos 283 gigabytes de arquivos ilícitos, e as investigações, iniciadas em 2024 após alerta de autoridades dos EUA, continuam em andamento.
Segundo os promotores de Roma, a investigação conseguiu avançar após a infiltração de um agente italiano no grupo criminoso. O policial conquistou a confiança dos administradores da comunidade, tornou-se coadministrador e obteve acesso aos canais privados utilizados pela organização.
"Essa organização era estruturada como uma empresa multinacional", afirmou o procurador de Roma, Francesco Lo Voi, durante uma entrevista coletiva.
As investigações apontam que a rede era comandada por quatro italianos e um cidadão suíço. Durante a operação, os investigadores apreenderam cerca de 283 gigabytes de conteúdo ilegal, incluindo mais de 22 mil vídeos e 34 mil imagens envolvendo crianças de até quatro anos de idade.
Pagamento em criptomoedas
O esquema funcionava a partir de uma comunidade do Telegram chamada "New Saga", que reunia mais de mil usuários espalhados por diferentes países. Para obter acesso aos conteúdos, os participantes precisavam realizar pagamentos em criptomoedas, apresentados como pequenas "doações" que variavam de três a nove dólares, ou então contribuir com novos materiais para a plataforma.
A cooperação internacional foi uma das peças centrais da investigação. As autoridades italianas identificaram 996 contas ligadas a usuários de 98 países e compartilharam os dados com forças de segurança estrangeiras, o que levou a novas prisões fora da Itália.
Os administradores da rede, com idades entre 22 e 28 anos, utilizavam um canal privado denominado "La Sala dei Re" ("A Sala dos Reis") para coordenar suas atividades. Entre suas funções estavam a administração dos grupos, a manutenção de servidores, a moderação de conteúdos e a criação de robôs automatizados que permitiam reconstruir rapidamente a comunidade sempre que algum canal era fechado pelo Telegram.
A investigação teve início em 2024 após um alerta da agência norte-americana Homeland Security Investigations (HSI). Apesar das prisões já efetuadas, os promotores italianos afirmam que as apurações continuam para identificar outros envolvidos e possíveis ramificações da rede em diferentes países.
Com AFP