A centro-esquerda venceu as eleições legislativas na Suécia com margem estreita de 176 a 173 cadeiras, levando à renúncia do premiê conservador Ulf Kristersson e marcando o recuo da extrema direita. A líder social-democrata Magdalena Andersson tenta agora articular uma aliança governista, mas enfrenta forte impasse para conciliar as exigências opostas do Partido do Centro e do Partido de Esquerda, cujos parlamentares ainda foram alvos de recentes acusações de antissemitismo.
Agora que o primeiro-ministro Ulf Kristersson reconheceu a derrota e anunciou sua demissão, começam as difíceis negociações dentro de um bloco de centro-esquerda bastante fragmentado para tentar formar um governo.
A margem é mínima: a aliança entre a direita e a extrema direita perdeu a eleição por apenas cerca de 50 mil votos e permanece à espreita.
Com 176 cadeiras, o bloco de esquerda liderado por Magdalena Andersson supera por apenas três assentos os 173 parlamentares do bloco do primeiro-ministro conservador em fim de mandato, Ulf Kristersson.
A social-democrata, de 59 anos, sonha em voltar ao comando do governo desde que deixou o poder, em 2022. Mas, como negociadora experiente, Magdalena Andersson, às vezes apresentada como uma "Merkel sueca" por seu estilo pragmático e direto, terá de tentar fazer coexistir em uma mesma aliança dois partidos que, em alguns momentos, têm dificuldade até mesmo para dialogar.
Em seu campo, seus aliados do Partido de Esquerda e do Partido do Centro estabeleceram suas respectivas "linhas vermelhas" ao longo da campanha. Os centristas não querem ministros de esquerda no governo, enquanto os esquerdistas exigem justamente participação no Executivo.
Magdalena Andersson também não parece muito inclinada a incluir o Partido de Esquerda no governo. Durante a campanha eleitoral, várias revelações do diário Expressen apontaram declarações consideradas antissemitas feitas por parlamentares do partido.
A líder da oposição, porém, afirmou estar pronta para governar a partir de domingo. "Se isso (os resultados) se confirmar, então a Suécia terá um novo governo", declarou a social-democrata de 59 anos a seus apoiadores.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, um dos poucos chefes de governo socialistas na Europa, saudou a vitória nesta quinta-feira em uma mensagem publicada no X.
"Depois de quatro anos de um governo de direita aliado à extrema direita, os suecos apostam novamente no Estado de bem-estar social, na justiça social e na transição ecológica", afirmou.
Demissão de Kristersson
O primeiro-ministro em fim de mandato anunciou sua demissão na tarde desta quinta-feira, abrindo oficialmente a fase de negociações para a formação do novo governo.
Ulf Kristersson reconheceu sua derrota depois da conclusão da apuração. O político de 62 anos, no entanto, também poderia tentar formar um governo caso uma aliança de esquerda fracasse.
Para isso, teria de encontrar outros parceiros de coalizão, o que, neste momento, parece pouco provável.
O Partido do Centro, que Kristersson tenta atrair para a direita, não deseja participar de um governo no qual a extrema direita tenha cargos ministeriais. Essa era, porém, a promessa feita pelo primeiro-ministro em fim de mandato ao partido de extrema direita caso sua aliança vencesse as eleições.
O recuo dos Democratas da Suécia (SD), partido de extrema direita que apoia o governo de saída, permanece como um dos principais acontecimentos do pleito.
Pela primeira vez desde que entrou no Parlamento, em 2010, o SD perdeu terreno: passou de 20,5% dos votos em 2022 para 17,5%, devolvendo à direita moderada de Kristersson o posto de segunda maior força política do país.
As eleições de domingo foram tão apertadas, e o número de cédulas foi maior do que o habitual, que foi necessário esperar mais um dia para contabilizar cerca de 300 mil votos que faltavam, provenientes do exterior e da votação antecipada.
Os resultados, normalmente divulgados na noite de quarta-feira, só puderam ser anunciados nesta quinta-feira.
com AFP