Uma campanha promovida durante alguns jogos do Campeonato Espanhol gerou polêmica dentro e fora do país, principalmente após nomes como Vinicius Jr. e Kylian Mbappé, do Real Madrid, se recusarem a apoiar o movimento na última partida da equipe contra o Elche, na terça-feira, 15. Atletas entraram em campo usando uma camisa com a frase "todos somos caballas", que faz referência aos moradores do território de Ceuta.
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A região é uma cidade autônoma da Espanha que fica localizada no norte da África e que faz fronteira com Marrocos. O local, que é a única conexão terrestre entre a Europa e o continente africano, tem sido um dos principais polos de discussão sobre o movimento migratório para o Velho Continente e tem gerado campanhas massivas do governo espanhol para controlar o acesso ao país.
Diante do Elche, três jogadores do Real Madrid entraram em campo com a camisa "dobrada" no corpo, escondendo a frase que ela mostrava. Além de Vini Jr. e Mbappé, o zagueiro francês Ibrahima Konaté também não demonstrou apoio total à campanha. Vale ressaltar que os dois atletas da França são filhos de imigrantes africanos.
A atitude do trio gerou críticas por parte do povo espanhol. Por outro lado, ativistas ligados às causas migratórias e à população marroquina apoiaram a atitude do trio do Real Madrid. A campanha foi idealizada pela Associação Valenciana de Empresários (AVE) e recebeu apoio de outros clubes da La Liga, primeira divisão espanhola, como Elche, Villarreal e Real Betis. Por outro lado, o Barcelona foi um dos times que decidiu não aderir ao movimento.
O jogador marroquino Abde Ezzalzouli, que atua na seleção do seu país, foi criticado por participar da campanha ao entrar em campo com o Villarreal. Nas redes sociais, rebateu com uma mensagem afirmando que não usou a camisa com intuitos políticos e que não foi explicado pelo clube do que se tratava o movimento.
Entenda a situação em Ceuta
No final de julho, mais de 60 mil pessoas atravessaram a fronteira entre Marrocos e o território autônomo de Ceuta em 24 horas. A situação foi respondida pelo governo espanhol com a mobilização do seu Exército para barrar a passagem dos imigrantes.
Um conflito foi instaurado na fronteira entre o país africano e o território espanhol, e mais de 70 pessoas morreram afogadas ou pisoteadas durante os tumultos. O governo espanhol encarou a situação como um "ataque" que viola a "integridade territorial" da Espanha.
Do outro lado, personalidades como Alberto Ibáñez, porta-voz da coalizão de esquerda Compromís no Congresso da Espanha, afirmaram que o atual cenário de crise migratória em Ceuta não pode ser tratado como um "pretexto para causar divisões por identidade nacional, ou para incitar racismo".